Opositores a mina de lítio fazem bloqueio aos trabalhos em Boticas
Opositores à mina em Covas do Barroso, Boticas, estão hoje a fazer um bloqueio aos trabalhos da empresa Savannah, nos terrenos sob servidão administrativa em protesto contra aquilo que alegam ser "a imposição do projeto".
(em atualização) O presidente da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), Nélson Gomes, disse à agência Lusa que o bloqueio visa a interrupção dos trabalhos numa das áreas da servidão administrativa e admite que se trata de uma necessidade de "escalar a resistência" perante a falta de respostas e da "inflexibilidade do Governo em escutar" as reivindicações da população.
Numa entrevista por telefone, disse que cerca de 30 populares se juntaram esta manhã para impedir que a Savannah Resources prossiga com os trabalhos e frisou que os "terrenos, quer baldios, quer particulares, são da população".
Em maio, o Ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa, que permite à Savannah entrar em terrenos comunitários e privados para trabalhos de geotecnia, a qual foi contestada em tribunal através de uma providência cautelar interposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, que levou à suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.
Nélson Gomes afirmou que é "preciso fazer resistência ao projeto" e lembrou que a luta contra a exploração mineira se faz há praticamente 10 anos, com "muito prejuízo" para a vida de quem se opõe à mina.
"Mas nós sempre dissemos que não vamos desistir, a luta continua e cada vez a escalar mais, porque quando as entidades não nos respondem, não querem saber de nós, quando o Governo ignora completamente as preocupações da população, a vontade da população, não faz sentido", sublinhou.
Acrescentando que este é um projeto "que põe em risco a qualidade de vida das pessoas, o meio ambiente, as águas.
"Portanto, este projeto tem tudo para dar errado. Nós não concordamos, não concordamos, não aceitamos", garantiu.
O presidente da UDCB apontou à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), "entidades que deviam fiscalizar o projeto e que não respondem às questões" que têm sido feitas, nomeadamente da desmatação que ocorreu fora o período autorizados e a retirada de água dos ribeiros.
Isto, frisou, "numa altura em que a água é escassa" e que até já há ribeiros que secaram.
"O Governo não se manifesta, está caladinho (...). Portanto, nós estamos a ser ignorados completamente. É um Governo que está a passar por cima da população, não faz sentido, nós somos portugueses como os outros, temos os mesmos direitos, portanto temos o direito de defender aquilo que é nosso", sublinhou, realçando que esta é uma região classificada como Património Agrícola Mundial e que "agora estão a permitir que a Savannah venha a destruir esta zona".
E apontou ainda aos "cerca de 10 projetos mineiros e pedidos de prospeção só na região do Barroso".
O projeto mineiro em Covas do Barroso foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma DIA favorável condicionada em 2023.
A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rtp.pt — o conteúdo pertence a RTP Notícias - País.