Investimento das empresas em IA duplica para 3,3% das receitas num ano, diz BCG
O investimento das empresas em inteligência artificial (IA) duplicou em menos de um ano, para 3,3% das receitas, e quase metade das organizações já gera valor significativo com a tecnologia, mas apenas 5% dispõem de todos os mecanismos de controlo necessários para lhe confiar decisões, segundo um estudo da Boston Consulting Group (BCG) divulgado esta segunda-feira, 19 de outubro.
O “Applied AI Index 2026”, baseado num inquérito a 1.330 dirigentes de topo e líderes empresariais, indica que a despesa com IA passou de cerca de 1,7% das receitas no final de 2025 para 3,3% atualmente.
Mais de 80% deste investimento é feito fora dos orçamentos centrais de tecnologias de informação das grandes empresas.
A consultora classifica 7,5% das empresas analisadas como “preparadas para o futuro”, com um retorno total para os acionistas 2,3 vezes superior ao das menos avançadas, um crescimento das receitas 2,4 vezes maior e um crescimento do EBITDA 2,8 vezes mais elevado.
Outras 41% estão a escalar a utilização de IA e também apresentam desempenho superior ao das menos preparadas.
Em conjunto, os dois grupos representam 48,5% da amostra.
Até 2030, 42% das empresas esperam atribuir autonomia de decisão a agentes de IA, mas só 5% têm atualmente o conjunto completo de mecanismos de controlo, que inclui supervisão, segurança, auditoria, controlo de custos e capacidade de reverter decisões ou ações, de acordo com o estudo.
A BCG estima que os agentes de IA possam representar cerca de 40% do valor total gerado pela tecnologia até 2030.
“Ficou para trás a fase em que quase todas as empresas experimentavam a IA, mas poucas viam o impacto nos resultados”, afirmou Eduardo Bicacro, managing director & partner da BCG Lisboa, citado no comunicado.
“Quem continuar preso a projetos-piloto vai ver a distância para os líderes aumentar.” As empresas esperam uma redução de 10% a 15% da força de trabalho até 2030, com maior impacto nas estruturas de coordenação e de gestão intermédia, segundo o estudo.
A maioria antecipa, no entanto, a criação de novas funções ligadas à IA, cujo peso deverá triplicar, de 7% da força de trabalho em 2026 para 22% em 2030.
Sete em cada dez empresas mais preparadas e em fase de expansão já investem na requalificação profissional dos trabalhadores, indica a BCG.
Em Portugal, a pressão para converter projetos-piloto em impacto mensurável coloca desafios semelhantes de governação e requalificação, ainda que com uma escala de investimento inferior à dos maiores mercados, segundo a consultora.
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