Grenache The Bistro: estrelas à parte
Caro M.
A expectativa em relação ao The Bistro era elevada, chancelada pela marca Grenache.
Mas essa exigência de partida é injusta porque o The Bistro não tem pretensão nenhuma e o seu charme advém, precisamente, daí.
Sediado na Rua Angelina Vidal, 88, Anjos, o Grenache The Bistro (grenache.pt) é um espaço conciso, que é como quem diz reduzido, penumbroso e sem grande preocupação, que sugere um certo intimismo espontâneo e até descuidado.
A carta, também ela concisa, propõe, de forma mais calculista que o ambiente, uma incursão diversa, que nos é apresentada de forma direta e sem devaneios literários: do “Cesto de Pães” passando pelo “Octopus (Pimento Vermelho, Alho Confitado, Paprika Fumada)”, “Ravioli (Ricotta, Tomates Secos, Emulsão de Alho) e terminando em “Clafoutis” (Sorbet de Frutos Vermelhos, Creme Inglês).
Há uma sugestão de qualidade (importada, lá está, da parentalidade e do apelido) que não é constante.
Mas está lá.
Caro P.
Não é uma ideia que me entusiasme, mas reconheço a bondade de democratizar um restaurante com estrela Michelin, através de uma sua versão mais inclusiva e acessível.
O primeiro Grenache, no Pátio Dom Fradique, em Lisboa, é o que é: um restaurante de luxo, fiel depositário da cozinha francesa contemporânea, e cuja competente e talentosa utilização da matéria-prima portuguesa lhe rendeu uma justíssima estrela.
O novo Grenache, em formato bistro, não é obviamente a mesma coisa.
Conserva os laivos de criatividade e talento da casa mãe (os tomates confitados em emulsão de gaspacho são absolutamente divinais), mas conjuga estes momentos de epifania gastronómica com uma decoração pobrezinha, um ambiente quase lugúbre, e uma conta salgada.
Está longe, porém, de ser um filho enjeitado: o serviço é muito profissional e simpático, a carta é interessante e não desilude, a lista de vinhos tem mais de 500 referências, e o bairro onde está localizado é um dos mais estimulantes e dinâmicos de Lisboa.
Caro M.
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