Kristin: Leiria encerra análise das 10.807 candidaturas recebidas
S ete meses depois após a tempestade Kristin, que afetou Leiria a 28 de janeiro, Gonçalo Lopes revelou que já foram processadas pela CCDR do Centro 10.735 candidaturas e pagas 7.694. Já aprovadas, mas por pagar, estão 310 processos, enquanto 72 ainda se encontram em análise.
Segundo o autarca, foram indeferidas 2.731 candidaturas. "Uma parte significativa tem a ver com as questões de dificuldade no processo instrutório. Ou porque vinham pouco instruídas, ou porque não enviaram a documentação necessária", explicou, acrescentando que em algumas situações não era "habitação própria e permanente".
Houve ainda munícipes que retiraram a candidatura, porque, "entretanto, receberam dinheiro dos seguros".
"Hoje é um marco muito importante naquilo que é o processo de reconstrução de Leiria. Muitas das habitações que pediram apoio, da parte do município, está concluída a análise", afirmou.
Considerando que hoje sente o "dever cumprido", o autarca frisou que o "processo de pagamento de algumas destas candidaturas que ainda estão em curso foi feito com elevação e com rigor".
O presidente da Câmara de Leiria reforçou que "foram 10.807 candidaturas analisadas nestes sete meses, com um esforço enorme dos técnicos do município, mas também da ordem dos arquitetos e dos engenheiros", ao destacar o apoio de técnicos cedidos pelos municípios de Vila Franca e Xira e da Guarda e de estudantes do Instituto Superior Técnico e das universidades de Coimbra, Aveiro e do Minho.
O peso das candidaturas no concelho de Leiria representa 30,1% do total do país (35.908), informou Gonçalo Lopes, precisando que o montante solicitado nas candidaturas apresentadas foi de 69,7 milhões de euros, ou seja, 33,1% de 210,5 milhões de euros nos restantes concelhos afetados pela tempestade Kristin.
Cerca de 39,5 milhões foram validados pelo Município e aproximadamente 37,3 milhões já foram pagos.
Para Gonçalo Lopes, estes números evidenciam o "quanto a tempestade foi dura neste concelho, em particular, e a resposta que foi dada durante este período obedeceu à constituição de uma equipa capaz de dar resposta", com "qualidade técnica" e "rigor exigido, que foi sempre um dos objetivos principais".
A Câmara de Leiria teve um custo apurado de cerca de 813 mil euros, dos quais aproximadamente 788,5 mil euros correspondem a recursos humanos, aos quais, além dos salários, ainda serão pagas horas extraordinárias.
"Foram mobilizados recursos humanos, que estiveram, neste caso particular, a trabalhar durante este período [sete meses]. Foram autênticos heróis porque tiveram um trabalho de dedicação e de rigor", elogiou.
Após a conclusão da análise da última candidatura, pelas 14:18 de hoje, Gonçalo Lopes alertou que o trabalho não terminou. "Ainda há muita obra por fazer que tem de ser feita, de modo que o edifício final tenha condições de resiliência e de capacidade de futuro".
Ainda há "estradas que estão fechadas, escolas que trabalham em contentores - elas estão a funcionar, mas não estão resilientes nem preparadas para o futuro", notou.
"É a partir agora destes pedidos de apoio que queremos reconstruir e melhorar as condições dos equipamentos municipais", acrescentou.
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