Reentrada do Estado na REN vai cortar preços da energia? Especialistas discordam e pedem debate sobre estratégia
“Comprar ações da REN para baixar o preço da eletricidade é como comprar ações da Brisa para baixar o preço dos automóveis”, escreveu este domingo Pedro Santa Clara numa opinião publicada no ECO .
A ideia por trás da analogia apresentada pelo professor universitário é partilhada por especialistas em energia, que sublinham que a reentrada do Estado no capital da empresa que gere as redes nacionais não só é a opção errada para cortar as tarifas, mas também para garantir maior soberania, resiliência, produção e eficiência no sistema energético.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro , disse esta terça-feira que, a médio e longo prazo, o regresso do Estado português ao capital da REN, após comprar a posição que era detida pela empresa do dono da Zara, vai mesmo ter “um efeito sobre o preço” da eletricidade para as famílias e empresas, repetindo a ideia que tinha deixado na Festa do Pontal na sexta-feira, logo a seguir à operação ter sido comunicado ao mercado.
Estado na REN terá “efeito sobre preço” da luz a médio prazo Ler Mais Nuno Ribeiro da SIlva , presidente da Endesa Portugal entre 2005 e 2023, explica ao ECO que não antecipa esse efeito.
“ O impacto no preço? Eu não vejo que venha a ocorrer no médio ou longo prazo só pelo facto de o Estado ter 13,7% do capital da REN “.
Segundo o gestor, se o Governo está a apontar à redução da fatura de da eletricidade, está a visar a parte errada.
“Se for ver, o preço do transporte da energia propriamente é uma parcela relativamente pequena na fatura dos consumidores, as parcelas mais fortes, além dos impostos, claro, são a potência contratada e os serviços de rede “.
Sede da REN (Redes Energéticas Nacionais), Sacavém, 28 de abril de 2025.
O Governo criou um grupo de trabalho para acompanhar o apagão que afeta Portugal de Norte a Sul e outros países europeus e aponta que o problema “terá tido origem” fora de Portugal.
JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA Uma fonte do setor energético com larga experiência na regulação referiu ao ECO que o transporte da eletricidade representa cerca de 4 ou 5% do custo total da eletricidade, da fatura do consumidor.
“Vamos ser objetivos, então não se deve começar por aqui, não é? Devemos começar pelas parcelas maiores com maior impacto e esta deveria vir no fim”, diz, antes de sublinhar que a ideia do Governo “não tem lógica nenhuma “.
A REN “ não é uma empresa mal gerida, a qualidade de serviço não é má , não se conhece nenhum caso de oposição do operador da rede de transporte à política energética nacional”, argumentou para explicar melhor a incredulidade perante a decisão do Governo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.