Von der Leyen quer travar importações chinesas de químicos e maquinaria
Bruxelas pretende replicar, com instrumentos de defesa comercial compatíveis com a Organização Mundial do Comércio, a lógica do acordo dos híbridos em setores onde a pressão chinesa é mais evidente.
O principal risco é a reação de Pequim, que poderá não aceitar o mesmo tipo de limites fora do caso dos automóveis.
A UE deverá dar prioridade aos setores dos químicos e da maquinaria industrial na proteção da indústria europeia contra a concorrência chinesa, segundo duas fontes anónimas citadas pelo Politico .
Ursula von der Leyen deveria informar os líderes europeus, na quinta-feira, de que Bruxelas estuda formas de proteger estes dois setores, sendo as salvaguardas o instrumento mais eficaz neste momento, por poderem ser aplicadas de forma rápida e abrangente.
A iniciativa surge na sequência do acordo que o Comissário do Comércio, Maroš Šefčovič, fechou com Pequim na semana passada, e que limita as importações anuais de automóveis híbridos chineses a 350 mil unidades no próximo ano, menos de metade das entregas previstas para este ano.
Os governos europeus têm pedido a proteção de outros setores, à medida que o défice comercial bilateral continua a crescer, e o próprio Šefčovič, em Pequim, descreveu o acordo como um “modelo” para outras áreas.
As salvaguardas para os híbridos, que prevêem uma quota de importação e tarifas sobre os volumes acima dela, devem estar prontas em dezembro e respeitar as regras da Organização Mundial do Comércio.
Um alto responsável da Comissão acrescentou que Bruxelas recebeu também queixas das indústrias eólica e do mobiliário.
Os números ajudam a explicar a escolha dos dois setores.
Em 2025, a China ultrapassou a Alemanha como maior exportador mundial de máquinas-ferramenta, segundo a associação alemã VDW: as exportações chinesas subiram 13%, para 8,6 mil milhões de euros, enquanto as alemãs caíram 10%, para 7 mil milhões.
Nos químicos, a China duplicou ao longo da última década a sua quota nas importações da UE, que representa agora 18% do total.
Não é claro se a proposta de novas salvaguardas foi combinada com as autoridades chinesas, e Pequim pode opor-se a mais restrições.
Lynn Song, economista-chefe para a China do banco ING, considera que o acordo dos híbridos é um caso isolado e que a China não quererá abrir um precedente de tetos noutros produtos; na sua opinião, Pequim aceitou discutir os híbridos devido ao número muito elevado de importações este ano.
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