Pobreza em Portugal recua, mas torna-se mais “persistente” e o trabalho já não protege
Cerca de 1,66 milhões de pessoas viviam em Portugal em situação de pobreza monetária em 2025, menos 101 mil do que no ano anterior.
A melhoria, porém, esconde sinais preocupantes: a pobreza persistente subiu de 7,1% para 9,5%, quase metade dos adultos pobres tem emprego e, depois de pagos os custos com a habitação, mais de um quarto da população fica em situação de carência.
Ao mesmo tempo, a privação material e social severa estabilizou no mínimo histórico de 4,3%, mas quase um terço dos portugueses não consegue fazer face a uma despesa inesperada.
Os dados constam do Relatório Pobreza e Exclusão Social em Portugal – 2026 , divulgado pelo Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza (ONLCP) da EAPN Portugal, por ocasião do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.
O documento baseia-se nos dados mais recentes do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) de 2025, relativos aos rendimentos de 2024, e monitoriza o alinhamento do país com as metas da Estratégia Europa 2030.
Um recuo com várias camadas As pessoas em risco de pobreza monetária vivem com um rendimento disponível inferior a 723,25 euros mensais (8.679 euros por ano).
Olhando para outras linhas de pobreza, o retrato tem nuances: 5,2% da população enfrenta pobreza extrema, com menos de 482 euros por mês, e 9,7% vive com menos de 603 euros.
Outros 23,7% estão acima do limiar oficial, mas numa zona de severa fragilidade financeira.
Os indicadores associados sugerem também um bloqueio da mobilidade social.
A pobreza persistente aumentou de 7,1% para 9,5% e a persistência na pobreza extrema (no limiar de 40%) passou de 1,3% para 1,9%.
Segundo o relatório, estes dados indiciam que o núcleo duro das situações de pobreza ameaça tornar-se mais crónico e impermeável à recuperação económica geral.
Deduzidas as despesas com habitação, a taxa de pobreza em Portugal passa de 15,4% para 26,8%, ou seja, mais de um quarto da população ficaria em carência financeira depois de pagar rendas, prestações bancárias ou serviços básicos.
Entre crianças e jovens com menos de 18 anos, a taxa atinge os 32,9%, já que as famílias com filhos estão mais pressionadas por estes encargos.
Sem qualquer apoio público, a pobreza atingiria 40,7% da população.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.