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Economia

Tempestade obrigacionista. “É uma excelente altura para se ser português”

Jornal Económico ·
Tempestade obrigacionista. “É uma excelente altura para se ser português”

Os juros da dívida pública estão próximos de máximos de vários anos na generalidade das economias ocidentais, agravando significativamente os custos de financiamento para países já altamente endividados e dificultando o acesso aos mercados pelas economias emergentes.

França está no olho do furacão, com uma trajetória orçamental insustentável e um sistema social exigente, e o mercado já sussurra “default”.

O incumprimento é um cenário no qual os economistas ouvidos pelo Jornal Económico (JE) não acreditam, mas que pode pressionar o Banco Central Europeu (BCE) a um novo momento “custe o que custar”.

No meio da tempestade, Portugal agarra-se à melhor situação macroeconómica deste século.

A semana que agora encerra até viu maior estabilidade no mercado de obrigações, com as yields, as taxas a que os investidores estão dispostos a emprestar dinheiro, a recuarem dos máximos.

Em vários casos, taxas que não se viam há mais de duas décadas em economias como a França, Estados Unidos, Alemanha, Japão ou Reino Unido, algumas das grandes economias mais afetadas pelo atual sell-off (venda em grande quantidade).

A leitura da inflação nos EUA acima do esperado renovou alguma da pressão ascendente nos juros, mas os mercados encerram a semana já com algum contágio às ações, sobretudo no altamente endividado setor da inteligência artificial (IA).

Perante o disparo recente, várias vozes e teorias têm desenhado um ponto de quebra para as yields soberanas.

Será que os títulos dos EUA a 10 anos acima de 5,5% quebram o sistema? A partir de 6% gera-se um ‘ciclo de ruína’ (um doom loop, em inglês)? Na Europa, interessam mais as yields ou os spreads, a comparação com títulos de referência? Paulo Monteiro Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, considera que mais preocupante ainda do que o nível de juros que os títulos franceses atingiram é o spread para as Bunds alemãs.

O diferencial aproximou-se de 150 pontos base (pb) na semana anterior e, combinado com juros “a superar sustentadamente 5% e chegarem até 5,5%, um spread já perto dos 200 pb começa a preocupar as instituições europeias e os investidores”, onde já se nota “um nervoso miudinho”.

Ainda assim, não acredita num default francês.

“Isto é o eixo franco-alemão, a espinha dorsal – qualquer problema ali tem uma probabilidade muito maior de uma crise mais grave do que a de 2011”, defende.

Fernando Teixeira dos Santos, que foi ministro das Finanças quando Portugal foi apanhado no turbilhão da crise das dívidas soberanas, concorda, classificando até a segunda maior economia europeia como “grande demais para falhar”.

Pedro Brinca converge na análise.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.

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