Clara Raposo destaca transformação e resiliência do sistema financeiro português na Conferência do FSAP 2026
A Vice-Governadora do Banco de Portugal, Clara Raposo, destacou hoje a notável evolução e resiliência do sistema financeiro nacional durante a abertura da conferência dedicada aos resultados do Financial Sector Assessment Program (FSAP) de 2026.
A intervenção enquadrou o painel sobre riscos financeiros e política macroprudencial, assinalando duas décadas de profundas reformas no setor bancário português.
Ao comparar a avaliação atual com o primeiro exercício do género realizado no país, entre 2005 e 2006, a responsável do supervisor sublinhou que a transformação do setor bancário nacional foi marcante, evoluindo de um contexto vulnerável ao endividamento para uma posição de solidade reforçada.
Segundo Clara Raposo, as instituições de crédito portuguesas apresentam-se hoje mais capitalizadas, eficientes, líquidas e rentáveis, estando preparadas para absorver eventuais choques severos de crédito, mercado ou taxas de juro.
Apesar de o relatório do Fundo Monetário Internacional classificar os riscos para a estabilidade financeira em Portugal como moderados, a Vice-Governadora alertou para a necessidade de vigilância contínua.
Entre os principais focos de atenção do banco central mantêm-se a evolução do mercado imobiliário e as crescentes incertezas do contexto económico e financeiro internacional.
Durante o seu discurso, Clara Raposo relevou o papel determinante assumido pela política macroprudencial, que passou a dispor de um mandato claro e de instrumentos proativos para mitigar vulnerabilidades antes que estas se materializem.
A responsável referiu também o alinhamento entre as recomendações do FSAP e as prioridades do supervisor, exemplificando com a recente simplificação das medidas dirigidas aos mutuários, a revisão dos prazos dos empréstimos e a calibração de reservas de capital libertáveis para períodos de maior risco cíclico.
A conferência prosseguiu com um painel de debate moderado por Eva Schliephake, reunindo contributos de Paulo Macedo, Gohar Minasyan e Ana Venâncio para analisar as perspetivas da banca, da academia e do acompanhamento internacional na preservação da estabilidade financeira.
O CEO da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, sobre o risco apontado pelo Financial Sector Assessment Program (FSAP) de 2026 relacionado com a subida muito forte dos preços da habitação, disse que o risco do mercado imobiliário resulta de “enorme assimetria entre a procura e a oferta”, e admitiu que os preços continuarão a subir até o mercado encontrar um novo equilíbrio.
Mas para Paulo Macedo, o maior risco do setor financeiro está nas ameaças cibernéticas.
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