Caso de homem acusado de terrorismo na Marcha pela Vida vai a julgamento
O caso do homem acusado de terrorismo por ter atirado um 'cocktail molotov' contra a Marcha Pela Vida vai seguir diretamente para julgamento, garantiu hoje a defesa, insistindo que nunca houve intenção de ferir alguém.
"Não se vai requerer a abertura da instrução. Espera-se que o julgamento possa ser marcado com rapidez", afirmou, em comunicado, o advogado Ricardo Sá Fernandes, acrescentando que a defesa espera "um julgamento justo, em que fique claro, sem margem para dúvidas, que nunca houve a intenção de ferir ou magoar alguém".
Em causa está o arremesso pelo arguido, em 21 de março de 2026, de um 'cocktail molotov' contra os participantes da Marcha Pela Vida, uma manifestação contra o aborto, nas imediações da Assembleia da República, em Lisboa, sem causar feridos.
Segundo o DCIAP, o arguido "tem uma forte obsessão com a divisão de classes, adotando a retórica de inspiração marxista da exploração e traição da classe trabalhadora" e passou, "pelo menos entre 2021 e abril de 2026", por "um processo de radicalização ideológica e operacional" que culminou no ataque aos manifestantes da Marcha Pela Vida, que enquadraria no "espectro político do que considerava ser a direita conservadora, o capitalismo, a extrema-direita ou o fascismo".
A defesa contrapôs que o ativista "não acredita que a violência seja um meio para obter quaisquer resultados" e que existe prova no processo, incluindo imagens de videovigilância, de que o 'cocktail molotov' não foi atirado "intencionalmente [...] contra quaisquer pessoas".
O arguido foi detido em abril pela Polícia Judiciária (PJ) e encontra-se desde então a aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva.
O MP acusou o homem de 39 anos que atirou o cocktail molotov contra os manifestantes da Marcha pela Vida, em março, de oito crimes de terrorismo e oito tentativas de homicídio. Os procuradores pedem, inclusive, que o mesmo continue em prisão preventiva.
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