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Uma Cooperativa Europeia do Petróleo

Observador ·
Uma Cooperativa Europeia do Petróleo

A OPEP reúne países produtores para influenciar a oferta de petróleo. A União Europeia está entre os grandes mercados importadores, mas as compras das suas refinarias e empresas importadoras não passam por uma negociação única europeia. Se juntassem parte das encomendas, poderiam apresentar aos fornecedores um volume difícil de ignorar. Uma “OPEP dos compradores” seria uma espécie de cooperativa europeia, na qual as empresas manteriam a sua atividade e os seus clientes, mas negociariam parte do abastecimento em conjunto.

No gás, uma iniciativa assente nos mesmos princípios já foi posta em prática. Em 2023, na sequência da crise energética do ano anterior, a União Europeia lançou o AggregateEU para reunir as necessidades das empresas e procurar ofertas de fornecedores internacionais. Em 2025, esta experiência serviu de base à Plataforma Europeia da Energia e das Matérias-Primas, que alargou o modelo a outros mercados, mas não incluiu o petróleo . Aplicar o princípio ao petróleo permitiria juntar compras hoje dispersas, com a possibilidade de obter melhores preços. Numa crise, a coordenação também poderia evitar que compradores europeus disputassem entre si as mesmas cargas e aumentassem o preço que estavam dispostos a pagar. Para empresas de menor dimensão, participar numa compra conjunta poderia abrir o acesso a fornecedores e condições que dificilmente alcançariam sozinhas. No papel, o petróleo parece ser o passo seguinte.

Porém, a cooperativa teria de convencer os seus próprios sócios. As grandes petrolíferas que lhe dariam peso já negoceiam volumes elevados e têm parte do abastecimento assegurada por contratos próprios de longa duração. O interesse em aderir poderia ser maior entre os pequenos compradores, embora a escala dependesse sobretudo de empresas que já conseguem boas condições por si próprias. Além disso, uma refinaria à procura de determinado crude e um importador de gasóleo não levariam a mesma encomenda à negociação. Até entre refinarias, o crude mais barato pode não ser o mais vantajoso, consoante o equipamento disponível e os produtos que se pretende obter. Seria necessário organizar grupos de compra com necessidades compatíveis, conciliar contratos existentes e decidir quem assumiria os compromissos perante os fornecedores. Tudo isto é possível, mas a poupança teria de compensar o custo de coordenar a estrutura. Caso contrário, a cooperativa poderia criar mais burocracia do que vantagens.

O AggregateEU mostra como é difícil avaliar o que se ganha com essa coordenação. Em 2024, o Tribunal de Contas Europeu não conseguiu demonstrar o seu valor acrescentado face às plataformas de negociação existentes e apontou a falta de informação sobre os contratos celebrados . Isso não prova que tenha falhado, mas deixa por comprovar se permitiu às empresas comprar em melhores condições. Reforçar as compras conjuntas de gás, como recomendou Draghi , exige também conseguir medir esses ganhos. Uma eventual extensão da Plataforma Europeia da Energia e das Matérias-Primas ao petróleo dependeria da adesão de empresas com volume suficiente para dar força à negociação e dispostas a assumir compromissos comuns de compra.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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