Líder do Iémen pede apoio a Trump para travar avanço dos Huthis
O líder do Conselho Presidencial do Iémen pediu apoio ao Presidente norte-americano, Donald Trump, durante um telefonema no domingo, para travar os avanços dos rebeldes Huthis, segundo uma fonte hoje citada pela agência France Presse (AFP).
O Presidente dos Estados Unidos manifestou solidariedade a Rashad al-Alimi após a ofensiva nos últimos dias dos rebeldes apoiados pelo Irão, que lhes deu acesso a grande parte do Iémen, mas não prometeu apoio militar, disse à AFP a mesma fonte não identificada e que é apresentada como próxima do assunto.
Donald Trump já tinha recusado em 11 de setembro, em plena ofensiva dos Huthis, pedidos do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, aliada do Governo internacionalmente reconhecido do Iémen, para atacar os rebeldes, de acordo com o portal Axios, citando dois responsáveis de Washington.
O portal norte-americano referiu que Trump alegou que pretendia manter o foco na guerra lançada em conjunto com Israel, em 28 de fevereiro, contra o Irão, abstendo-se de abrir uma nova frente de combate.
Nas últimas semanas, os confrontos intensificaram-se entre os Huthis e as forças do Governo iemenita, sobretudo ao longo da costa oeste, junto ao Mar Vermelho, onde os rebeldes avançaram rapidamente.
Os Huthis relataram repetidos bombardeamentos das forças de Riade, ao mesmo tempo que reivindicaram ataques de retaliação contra alvos militares e energéticos sauditas.
O reacendimento da guerra civil no Iémen surge no seguimento da ofensiva israelo-americana contra o Irão, que se encontra sem saída à vista e levou ao estrangulamento pelas forças iranianas do estreito de Ormuz, por onde passavam 20% dos hidrocarbonetos antes do conflito, e a uma forte subida dos preços do petróleo.
O recente avanço dos Huthis pode levar também a perturbações no estreito de Bab el-Mandeb e nas rotas marítimas no Mar Vermelho, que têm sido usadas em alternativa a Ormuz, em particular pela Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo bruto.
Os Huthis alegam que as operações militares no Iémen não procuram atingir a navegação comercial, exceto para os navios sauditas, que estão sujeitos a um bloqueio dos rebeldes desde julho.
Num discurso televisivo, o líder dos Huthis alertou hoje a Turquia e o Paquistão para as consequências de um eventual envolvimento na campanha militar da Arábia Saudita no Iémen, depois de os três países terem assinado um acordo de defesa conjunta em agosto.
"Aconselhamos os turcos e os paquistaneses a não se deixarem envolver pelos ganhos políticos e materiais do inimigo saudita", disse Abdelmalik al-Huthi, no seu discurso que assinalou o 12.º aniversário da captura da capital do Iémen, Sanaa, pelos rebeldes, a par de vastas regiões do país.
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