Transição energética na Europa pode poupar 34.000 vidas e 8.500 milhões por ano
A transição energética na Europa pode salvar 34.000 vidas e gerar 826 mil milhões de euros por ano até 2030, 8,5 mil milhões só em Portugal, indica um estudo divulgado hoje (13 de outubro).
Segundo o documento, com medidas de poupança de energia, os 826 mil milhões de euros até 2030 podem subir para quase dois biliões de euros anuais até 2050.
O estudo, da coligação “Plan4Climate” (um projeto europeu de ambiente) e da Rede de Ação Climática Europa (CAN Europe, maior rede de organizações não governamentais de ambiente), quantifica “os benefícios da ação climática que costumam faltar nos debates centrados no custo da transição”.
Menor despesa com energia, novos empregos, melhor saúde, menos dias de trabalho perdidos por doença e danos climáticos globais evitados são os benefícios, referidos num comunicado sobre o estudo e hoje divulgado pela associação ambientalista Zero, que faz parte das entidades responsáveis pelo relatório.
Segundo o documento, as medidas de poupança de energia podem trazer à Europa, até 2030, mais de 8,5 milhões de empregos a tempo integral, incluindo cerca de 6,5 milhões na construção e na renovação de edifícios.
E além de se impedirem 34.000 mortes prematuras, também são evitados cerca de 8.000 internamentos hospitalares em cada ano e 3,3 milhões de dias de baixa por doença, graças à redução da poluição atmosférica.
A análise, de mais de 60 páginas, inclui resultados por país, apontando que os 8,5 mil milhões que Portugal pode gerar em cobenefícios (impactos positivos adicionais que resultam de uma intervenção, além do benefício principal) até 2030 é um valor que equivale a 2,45% do PIB de 2025.
“Até 2050, os cobenefícios podem chegar a 28,6 mil milhões de euros anuais, ou seja, 8,25% da riqueza produzida em todo o ano passado”, diz-se no comunicado da Zero.
Citando o relatório, a associação destaca que o principal argumento para Portugal acelerar a transição energética é a redução do preço da energia, podendo a diminuição dos custos com energia atingir os 280 euros por pessoa em 2030 e 1.069 euros por pessoa em 2050.
“Isto torna a ação climática diretamente relevante para as famílias e para o combate à pobreza energética.
A estes ganhos somam-se os danos climáticos globais evitados, estimados em 279 euros por pessoa em 2030 e 1.282 euros por pessoa em 2050”, acrescenta.
Aplicado a Portugal, o estudo indica outros benefícios da transição, explicando que até 2030 as medidas de poupança de energia podem evitar 678 mortes prematuras por ano, e pode evitar-se ainda a perda de cerca de 66 mil dias de trabalho por doença.
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