Reino Unido, Angola e China perderam peso nas exportações de bens na última década
Entre os cinco principais destinos das exportações portuguesas, o Reino Unido é o único que sofreu na última década, quando se compara a média dos últimos três anos com o período pós-troika.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) permitem concluir que as vendas para aquele país cresceram apenas 10% entre os dois triénios.
“O Brexit nota-se”, sublinha Manuel Caldeira Cabral, economista da Universidade do Minho.
“Não foi só com Portugal.
O Reino Unido teve uma desaceleração grande do crescimento do comércio com os países da União Europeia e não compensou com um aumento do comércio com o resto do mundo, pelo contrário”, realça o antigo ministro da Economia.
Já Espanha, França e Alemanha, que cresceram todos na casa dos 60% ao longo deste período, em linha com a média total, continuam a ser os destinos preferenciais das exportações nacionais, mantendo a mesma ordem no ranking face ao pré-troika.
No entanto, se for analisado apenas 2025, os germânicos já passaram para o segundo lugar, depois de terem recebido mais 14,57% do que em 2024.
França, pelo contrário, caiu 0,17% no ano passado.
Caldeira Cabral nota que as exportações subiram para esses países “mais do que o mercado”, embora os últimos anos tenham sido mais difíceis.
Rafael Campos Pereira salienta também que “há um trabalho consolidado de muitos anos, em muitos setores, para exportar para Espanha, que tem proximidade geográfica, cultural, etc”, tal como para França e Alemanha.
“É muito importante que as empresas consolidem esses três mercados,”, afirma o representante dos metalúrgicos.
Estas subidas, porém, não se comparam às dos EUA ou de Itália, destinos para os quais o valor mais do que duplicou (112% e 116%, respetivamente).
No caso norte-americano, tudo corria bem até ao ano passado, quando houve uma quebra anual de 13,35%.
Ainda assim, este destino subiu uma posição na última década, substituindo o Reino Unido no 4º.
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