A Europa de Metsola
Passei os últimos dias no Parlamento Europeu, em Bruxelas, entre debates, reuniões e conversas com vários dos protagonistas desta legislatura.
Regressei com uma impressão difícil de ignorar: a competitividade tornou-se a nova gramática da política europeia.
Energia, indústria, investimento, simplificação, segurança económica – quase todas as grandes escolhas são hoje discutidas a partir da mesma pergunta: quanto pode a Europa exigir à sua economia sem comprometer a capacidade de produzir, investir e competir? Para quem acompanhou a ascensão da sustentabilidade ao centro da agenda europeia, a mudança é particularmente relevante.
Há poucos anos, o debate concentrava-se sobretudo na velocidade da transição e na construção das regras capazes de a impor.
Hoje, sem abandonar as metas climáticas, Bruxelas discute com muito maior insistência as condições materiais que permitem cumpri-las.
O preço da energia deixou de ser uma questão lateral de política industrial; o acesso a capital, a escala das empresas, as redes e a inovação passaram a determinar quanto da ambição europeia consegue realmente chegar à economia.
As quatro prioridades que Roberta Metsola tem colocado no centro da sua agenda condensam bem esta nova disposição: completar o mercado único, reduzir a burocracia, investir em energia e inovação e aprofundar as parcerias globais.
A presidente do Parlamento não governa a União e não dispõe de uma maioria política própria.
Ainda assim, estas prioridades são interessantes precisamente porque ultrapassam a sua pessoa.
Encontram-se, com linguagens diferentes, no relatório de Draghi, no trabalho de Letta e no novo ciclo da Comissão: a Europa percebeu que regular um mercado de 450 milhões de pessoas não é o mesmo que possuir a capacidade económica para moldar o mundo que o rodeia.
As eleições de 2024 aceleraram esta inflexão.
Os Verdes/ALE recuaram para 53 deputados no início da legislatura, enquanto o PPE consolidou a sua posição e as forças conservadoras e nacionalistas ganharam peso.
O centro pró-europeu sobreviveu – mas o equilíbrio dentro desse centro mudou, e com ele mudaram também os termos da negociação [1 ] .
A sustentabilidade não desapareceu da maioria europeia; perdeu, porém, a margem política que durante alguns anos permitiu discutir os objetivos antes de discutir suficientemente os custos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.