Afinal, cancelar o Volta poderia obrigar Portugal a devolver 600 milhões do PRR
Caso o Governo acedesse ao pedido do presidente da Câmara de Lisboa de “cancelar de imediato” o sistema Volta , isso seria reverter uma das reformas acordadas com a Comissão Europeia, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e Portugal poderia ter de devolver cerca de 600 milhões de euros da bazuca europeia.
“Um eventual cancelamento do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), que em Portugal assume a designação “Volta”, colocaria em causa um compromisso assumido pelo Estado português perante a Comissão Europeia” , explicou ao ECO fonte oficial da estrutura de missão Recuperar Portugal, depois de numa resposta ter indicado que não teria impacto .
“ Tratando-se de um marco do PRR já cumprido e pago, esse cancelamento seria entendido pela Comissão Europeia como um retrocesso relativamente ao compromisso assumido , com a consequente aplicação de uma correção financeira correspondente à percentagem do valor associado a esse marco”, acrescentou a mesma fonte.
Um valor que rondaria os 600 milhões de euros, ao que o ECO apurou.
“ Portugal tem, assim, de assegurar a manutenção do SDR, em conformidade com os princípios que estiveram na origem do Decreto-Lei n.º 24/2024” , sublinha fonte oficial da entidade liderada por Fernando Alfaiate.
“A implementação do Sistema de Depósito e Reembolso constituiu uma reforma inscrita no PRR português, no âmbito da Componente C12 — Bioeconomia Sustentável, mais concretamente na reforma TC-C12-r39”, detalha ainda a mesma fonte.
Mas ressalva “um ponto essencial: embora a implementação do SDR constitua uma reforma prevista no PRR, o sistema não beneficia, nem beneficiou, de financiamento do PRR ou do Orçamento do Estado.
Ou seja, o compromisso assumido no PRR respeita à concretização da reforma e não ao financiamento do sistema”.
Na apresentação do trabalho do executivo camarário, na terça-feira, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, disse que o sistema Volta tem sido “um imposto para quem paga e um drama social sem precedentes na cidade”.
E por isso reiterou o pedido “ao Governo para fazer exatamente como foi feito em França: cancelar de imediato este sistema.
É uma boa intenção.
É um mau resultado.
Não o queremos”.
A partir de Estrasburgo, no dia seguinte , a ministra do Ambiente respondeu a Carlos Moedas .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.