Manifestantes pela habitação voltam à Praça D. João I e atiram a Pedro Duarte
Os manifestantes que desde sábado protestam pela habitação voltaram esta quinta-feira, 15 de outubro, à Praça D.
João I, no Porto, com muitas críticas ao presidente da Câmara do Porto, tendo protestado em frente da sede do município por "menos bastão, mais habitação".
A partir das 19:00, foram muitos, cerca de 2.500, os que se quiseram juntar à manifestação, tanto pelas reivindicações quanto à crise da habitação em Portugal como pelo repúdio pela carga policial ocorrida na última madrugada, que segundo contas da organização deixou 39 feridos, dois deles graves, anunciando a PSP que um polícia ficou ferido.
A concentração arrancou com "Grândola, Vila Morena", de José Afonso, um espelho da canção que os manifestantes cantavam pouco antes da carga policial da última madrugada.
Os presentes empunhavam cartazes contra o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, e a reivindicar o direito à habitação, entoando palavras de ordem como "O povo unido jamais será vencido" e "Pedro Duarte, demissão", após declarações do autarca, que prometeu ser "absolutamente implacável" contra as tendas, e do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que esta quinta-feira pediu aos manifestantes que não fossem "egoístas".
Montenegro defende forças policiais e pede a manifestantes que não sejam egoístas Nos cartazes, Pedro Duarte era o alvo mais frequente, acusando-o de ser "mais mentiroso do que André Ventura", do Chega, e pedindo ao "implacável: menos bastão, mais habitação".
"Abram casas, não cabeças", "Não deixem o Luís trabalhar", "O Porto não está à venda" e faixas com "Morto", em alusão ao slogan Porto. da autarquia eram visíveis pela manifestação, como lamentos por "tanta gente sem casa, tanta casa sem gente" e por "alojamento local, desalojamento nacional".
A manifestação deslocou-se ainda à Câmara do Porto, ocupando por momentos o terreiro em frente à porta e a praça adjacente, antes de regressarem à praça, para deliberar sobre se mudam de local a acampada, se permanecem, ou montam tendas de novo.
Mariana, que prefere não revelar o último nome, estava na manifestação durante a carga policial e explica à Lusa que «a causa é mais forte», pelo que regressou, com muitos amigos, com «mais sede de revolução».
"Éramos 100, 200 pessoas aqui a lutar por um direito que é universal.
Todas as pessoas no mundo merecem um teto digno.
Há, infelizmente, pessoas que não o têm, e é ultrajante como é que o nosso presidente, Pedro Duarte, foi capaz de recorrer a este nível de violência para manifestantes pacíficos" , lamenta.
José Soeiro, ex-deputado à Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda, conta-se entre as dezenas que foram agredidas na carga policial, tendo visto o regresso, esta quinta-feira, de tanta gente como uma mostra "da força da solidariedade".
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.