Estado injeta 43 milhões na Parpública dias antes de anunciar entrada na REN
O Estado injetou aproximadamente 43 milhões de euros em dinheiro fresco na Parpública dois dias antes de a holding estatal ter celebrado um acordo com os espanhóis da Pontegadea relativo à compra de uma participação de quase 14% do capital da REN na passada sexta-feira.
A Parpública realizou um aumento de capital no passado dia 12, no valor de 42,8 milhões de euros , através da emissão de quase 8,56 milhões de ações que foram integralmente subscritas, e em dinheiro, pelo seu acionista único, o Estado português, de acordo com os registos consultados pelo ECO no portal de publicação de atos societários do Ministério da Justiça.
Estado na REN terá “efeito sobre preço” da luz a médio prazo Ler Mais Dois dias depois, a REN comunicou ao mercado que a Pontegadea havia chegado a um acordo com a Parpública para a transmissão da sua participação de 13,7% na gestora da rede elétrica, avaliada em mais de 320 milhões de euros, mas sem mencionar valores do negócio.
No mesmo dia, na festa do Pontal, o líder do PSD e primeiro-ministro deixava as primeiras declarações sobre o tema: “Estamos lá para participar nas decisões de investimento estratégicas e para que possamos baixar o preço da energia”.
Esta terça-feira repetiu o argumento .
Em relação aos termos financeiros da operação, nomeadamente o preço a pagar à sociedade espanhola de Amancio Ortega, dono da Zara, e como será financiada, ainda pouco se sabe , apesar dos pedidos de informação da oposição.
O ECO questionou o Ministério das Finanças sobre se esta injeção servirá para ajudar a Parpública a financiar a aquisição da participação na gestora da rede elétrica, uma operação que ainda aguarda autorização do Tribunal de Contas , e também não obteve uma resposta.
"Ninguém diz que é a intervenção na REN, diretamente, que provoca uma alteração no preço, mas é uma das condições para podermos proteger o interesse estratégico de termos uma rede mais resiliente, de protegermos as nossas infraestruturas críticas, de fazermos fluir o sistema de maneira a que possa ser otimizado, e isso refletir-se depois nas condições de acesso.” Luís Montenegro Primeiro-ministro Cofres ‘esvaziados’ após compra da Águas de Portugal Segundo o Jornal de Negócios, a compra da participação na REN será liquidada por via das disponibilidades financeiras da holding que gere as participações do Estado.
Porém, acrescentou ainda, se o valor a pagar à Pontegadea for superior aos recursos existentes na holding estatal, será acionado o Orçamento do Estado, através do capítulo 60, que serve para financiar operações de investimento em ativos financeiros considerados como despesas excecionais.
REN.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.