Médio Oriente: Amnistia Internacional defende que Hamas deve pôr fim às execuções extrajudiciais
A Amnistia Internacional defendeu esta sexta-feira que as autoridades e as forças associadas ao Hamas na Faixa de Gaza ocupada devem pôr fim às execuções extrajudiciais de suspeitos de colaboração com Israel, realizadas sem qualquer processo judicial.
Em comunicado, a Amnistia Internacional (AI) adianta ter investigado e documentado nove execuções extrajudiciais e homicídios ilegais cometidos por forças afiliadas ao Hamas.
“Embora os responsáveis do Hamas afirmem ter aberto investigações internas preliminares sobre os incidentes, tanto quanto é do conhecimento da Amnistia Internacional, nenhum dos responsáveis pelos homicídios foi chamado a responder até à data”, é referido na nota.
De acordo com a AI, só no mês passado, os responsáveis da segurança da ala militar do Hamas, as Brigadas Al-Qassam, anunciaram a execução sumária de um homem por colaboração com Israel e a intenção de executar outro “informador” nos dias seguintes, no âmbito do que designaram como uma campanha de segurança em grande escala.
“Para esta investigação, a Amnistia Internacional documentou nove execuções extrajudiciais e um homicídio ilegal, tendo todos estes incidentes, com exceção de um, ocorrido imediatamente após o chamado cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em outubro de 2025”, adianta a AI.
Segundo a investigação da AI, em “outubro de 2025, o Hamas e as suas forças associadas realizaram execuções públicas e sumárias de oito membros da família Dughmush, do bairro de Al-Sabra, na cidade de Gaza, após os terem acusado de colaborar com Israel.
“A organização documentou também outra execução a 1 de julho de 2026” e ainda o "homicídio ilegal de um homem em outubro de 2025, durante uma aparente operação de detenção no campo de refugiados de Al-Bureij, perto da Rua Salaheddine, concretizada por homens armados e mascarados”, indica a AI.
Na nota, a organização destaca um relatório da ONU de junho deste ano em que foram identificados 249 casos de execuções extrajudiciais e violência física grave em Gaza entre agosto de 2024 e o início de 2026, dos quais pelo menos 60 envolveram forças ligadas ao Hamas.
“As autoridades do Hamas devem pôr imediatamente termo a todas as mortes ilegais, atos de justiça por conta própria e detenções arbitrárias.
A restauração da lei e da ordem nunca deve servir de pretexto para cometer graves violações dos direitos humanos, levar a cabo represálias ou punir coletivamente famílias inteiras”, afirmou Erika Guevara-Rosas, diretora sénior de Investigação, Defesa, Políticas e Campanhas da Amnistia Internacional.
De acordo com Erika Guevara-Rosas, “os responsáveis por ordenar e executar execuções extrajudiciais, bem como detenções arbitrárias, tortura e outros maus-tratos, devem ser responsabilizados".
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