Investimento em Defesa pode criar mais 40 mil empregos em Portugal
A indústria portuguesa da Defesa poderá duplicar o número de trabalhadores, dos atuais 40 mil para 80 mil , se as empresas nacionais participarem nas grandes compras militares previstas para os próximos anos.
A estimativa da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) aponta para a criação de 40 mil empregos adicionais, incluindo 20 mil para licenciados , com salários que poderão atingir o dobro da média nacional.
A estrutura associativa empresarial portuguesa alerta que os cerca de 10 mil milhões de euros que Portugal prevê investir em Defesa na próxima década só terão um impacto duradouro na economia se o Governo garantir oportunidades para a indústria nacional.
“Ao fazer as suas encomendas de material e de equipamento com fins militares, o Governo deve criar condições para que as empresas portuguesas possam participar, de forma competitiva, nas aquisições nacionais e nas cadeias de valor europeias e internacionais”, afirma Armindo Monteiro.
Fragatas.
325 milhões é o valor da incorporação da indústria Ler Mais A CIP destaca os programas de aquisição de fragatas para a Marinha — uma operação com um valor de 3,9 mil milhões de euros, que segundo o ministro da Defesa, Nuno Melo, tem uma incorporação nacional de 325 milhões de euros —, viaturas blindadas para o Exército — através do programa de empréstimo SAFE, no qual Portugal garantiu uma fatia de 5,8 mil milhões de euros — ou a compra dos futuros caças , para substituir os atuais F-16 da Força Aérea em fim de vida, como oportunidades para desenvolver a indústria nacional .
Defende que as empresas sejam envolvidas desde o planeamento dos contratos, com acesso a fornecimentos, manutenção, transferência de conhecimento e parcerias com fabricantes internacionais.
O setor reúne cerca de 424 entidades, gera mais de 4,6 mil milhões de euros de volume de negócios e emprega aproximadamente 40 mil pessoas , segundo o Radar CIP sobre a estratégia portuguesa para a indústria da Defesa, datado de julho deste ano.
As competências abrangem áreas como aeronáutica, cibersegurança, sistemas não tripulados, eletrónica e materiais avançados.
Mais defesa no OE2027 pode ser oportunidade para a indústria premium Ler Mais A confederação alerta ainda para o risco de o investimento beneficiar sobretudo fornecedores estrangeiros.
Cerca de 78% das aquisições europeias de Defesa realizadas em 2022 e 2023 tiveram origem fora da União Europeia (UE) , das quais 63% nos Estados Unidos, segundo os dados citados pela CIP.
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