Uma alternativa que termina no mesmo sítio
Uma alternativa que termina no mesmo sítio não é uma alternativa.
É a regra mais cara de aprender em gestão de risco, e a Arábia Saudita acaba de a aprender à frente do mundo inteiro.
Durante décadas, Riade construiu a sua apólice contra Ormuz: o oleoduto Este-Oeste, que atravessa o reino desde os campos orientais até Yanbu, no mar Vermelho, com capacidade expandida para sete milhões de barris por dia.
Custou uma fortuna e existia para o dia em que o Golfo fechasse.
Chegou esse dia, e descobriu-se o óbvio: o petróleo que sai por Yanbu tem de passar por Bab-el-Mandeb, o estreito entre a Península Arábica e o Corno de África.
Contornar um estrangulamento para desembocar noutro não é diversificar, é mudar de credor.
A 10 de Setembro os huthis tomaram o porto de Mocha.
No dia seguinte chegaram à ilha de Perim, que parte o estreito em dois canais, e as forças do governo iemenita retiraram-se de Dhubab, na costa em frente.
No mesmo dia, drones lançados do Iraque atingiram uma estação de bombagem do Este-Oeste e obrigaram a encerrar o oleoduto.
A apólice e a saída da apólice caíram na mesma manhã, o que raramente é coincidência.
E não falhou só por geografia.
Falhou porque o flanco que a protegia foi deixado apodrecer.
A coligação contra os huthis partiu-se quando os Emirados apostaram no Conselho de Transição do Sul, e Riade passou anos a tratar o Iémen como dossier de segunda enquanto financiava tudo o resto, das cidades futuristas ao desporto.
Redundância não é só infra-estrutura, é a condição política e militar de a manter aberta.
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