Ucrânia. Qual o próximo passo da Europa?
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Gabinete de Guerra na Rádio Observador, o espaço onde analisamos os principais focos de tensão na geopolítica mundial. Hoje contamos com a análise do professor de Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, Bernardo Valente. Seja muito bem-vindo à Rádio Observador. Obrigado por aceitar o nosso convite.
Queria começar pela guerra na Ucrânia. Na próxima segunda-feira vai ser a reunião da Coligação das Vontades. Os ataques russos nesta semana foram em larga escala. Sabemos também que há uma crescente pressão no governo de Zelensky por parte não só de Fedorov, mas também de alguma parte do povo. A Ucrânia vê-se numa situação delicada. Por outro lado, a Rússia teve armazéns da empresa Wildberries destruídos, está com problemas no setor petrolífero, com o governo, por exemplo, a baixar a qualidade da gasolina e do gasóleo. Portanto, também temos uma Rússia com alta pressão econômica. Dois lados com alguns problemas neste momento. O que é que podemos esperar desta reunião? O que é que podem decidir os europeus? Mais pressão no setor econômico russo, por exemplo?
Boa noite, Martim. E mais uma vez obrigado por este excelente resumo, que acho que dá aqui também o mote para a resposta. Por quê? Porque se olharmos para o lado russo e para o lado ucraniano, na realidade do terreno, tanto na fronteira contestada, portanto, tanto nos ataques pelo solo como nos ataques aéreos, o que temos neste momento é uma capacidade ofensiva de ambos os lados e uma capacidade defensiva muito reduzida. Por isso, se realmente nos Estados Unidos escasseiam os interceptores, acaba por escassear também os interceptores na Ucrânia, e isso também se reflete naturalmente na Rússia, até porque estamos a falar de baterias antiaéreas, estes interceptores, que têm uma produção de cerca de dois por dia, ou seja, cerca de 700 por ano, e que tem que ser distribuída muitas vezes por vários países, o que faz com que escasseie então no teatro de guerra, tanto do lado russo como no lado ucraniano. O que é que podemos esperar da reunião da Coligação das Vontades e qual é agora o objetivo da União Europeia perante esta nova tensão que se vive na Ucrânia, não só pela falta de interceptores, mas principalmente por termos aqui um novo inimigo político, um novo opositor político que é endêmico, que sai de dentro da Ucrânia e que acaba agora por confrontar Zelensky, que é o antigo ministro da Defesa, Fedorov. O que podemos esperar desta reunião são dois pontos essenciais, diria. O primeiro ponto é continuar a discutir no que é que consistirá um 22º pacote de sanções.
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