Estado paga prémio de 17% para voltar à REN
A aquisição pela Parpública da participação de 13,7% na REN – Redes Energéticas Nacionais vai ser feita por 380 milhões de euros, o que representa um prémio de 17% face à cotação da empresa a 14 de agosto, quando foi comunicado o negócio.
Este valor representa um acréscimo de cerca de 55 milhões de euros para a compra das 91.723.676 ações que a espanhola Pontegadea Inversiones detém na empresa liderada por Rodrigo Costa, face ao fecho de sexta-feira, e está inscrito no contrato que foi enviado para o Tribunal de Contas, apurou o Jornal Económico.
A conclusão da operação está condicionada à concessão de visto pelo Tribunal de Contas.
A Parpública beneficiou de um aumento de capital de 42,77 milhões de euros, registado no mesmo dia em que foi anunciada a operação.
O capital da holding pública passou a ser de 2.042 milhões de euros.
Os resultados líquidos da holding do Estado aumentaram 19,4% no ano passado, face ao anterior, para 233,4 milhões de euros.
No portefólio da Parpública estão participações em 19 empresas.
Nove destas são detidas na totalidade, como a AdP – Águas de Portugal, a Companhia das Lezírias ou a imobiliária Estamo.
Outras são minoritárias, mas relevantes, como a de 8,42% na Galp ou de 45% no Hospital da Cruza Vermelha.
Fim da exceção Portugal é o único dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) sem qualquer participação pública nacional no operador da rede de transporte de eletricidade, o que será alterado se se concretizar a compra pela Parpública da participação na REN.
Um levantamento comparativo sobre a titularidade das redes elétricas na UE mostra que em 14 países a rede é detida a 100% pelo Estado: Bulgária (ESO/BEH), Croácia (HOPS/HEP), Chipre, Chéquia (ČEPS), Dinamarca (Energinet), Estónia (Elering), França (RTE), Hungria (MAVIR/MVM), Letónia (AST), Países Baixos (TenneT NL), Polónia (PSE), Eslováquia (SEPS), Eslovénia (ELES) e Suécia (Svenska kraftnät).
Depois, em oito países, a titularidade do capital é mista, repartida entre público e privado, mas o Estado detém a maioria.
Na Lituânia, o Estado detém uma participação de 97,5% no operador da rede elétrica Litgrid, através da EPSO-G.
Na Irlanda, a participação pública é de 97,1% na EirGrid (transporte) e na ESB (distribuição).
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