Apesar de crescimento recorde, seguradoras enfrentam três desafios estruturais que vão testar o setor, alerta ASF
A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) alerta que reduzir as lacunas de proteção face a catástrofes naturais, canalizar a poupança para investimento produtivo e reforçar a resiliência digital são os três desafios estruturais que vão determinar o futuro dos setores segurador e dos fundos de pensões, apesar dos resultados sólidos alcançados em 2025.
O aviso consta do Relatório do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões 2025, publicado esta terça-feira, onde o supervisor sublinha que num contexto marcado por elevada incerteza geopolítica, pela volatilidade da inflação e das taxas de juro e por riscos de correção nos mercados financeiros, incluindo valorizações associadas à inteligência artificial que podem refletir otimismo excessivo, a boa capitalização continua a ser a primeira linha de defesa dos consumidores.
Em 2025, a produção das empresas sob supervisão prudencial da ASF cresceu 14,3%, para 15,2 mil milhões de euros, num movimento acompanhado por uma melhoria da qualidade do desempenho.
O resultado líquido agregado subiu para 653 milhões de euros.
Considerando toda a atividade de seguro direto em Portugal, incluindo sucursais europeias e livre prestação de serviços, a produção total atingiu cerca de 19,5 mil milhões, mais 10,9%.
O ramo Vida cresceu 15,6% para mais de 7,7 mil milhões, impulsionado sobretudo pelos seguros ligados a fundos de investimento (unit-linked), que dispararam 58,3% e já representam 39,1% do ramo.
O motor foram os seguros ligados a fundos de investimento (unit-linked), com um salto de 58,3% na produção.
Já representam 39,1% de todo o ramo Vida, mais 10,6 pontos percentuais que em 2024.
Os Planos Poupança-Reforma (PPR) mantiveram peso relevante, com mais de 2,1 mil milhões de euros, ou 27,2% da produção Vida.
Nos ramos Não Vida, que avançaram 13% para 7,5 mil milhões, o Automóvel foi o que mais cresceu, com mais 16,2% para cerca de 2,4 mil milhões, seguido do Doença, com +12,4%, e de Acidentes de Trabalho, com +11,1%.
Só no ramo Doença, o número de pessoas seguras subiu 6% e já ultrapassa os quatro milhões, confirmando a crescente procura de seguros de saúde.
A melhoria da qualidade reflectiu-se também nos resultados.
O resultado global das contas técnicas subiu 120 milhões face a 2024, para 851 milhões de euros, e o resultado líquido agregado atingiu 653 milhões de euros, mais 160 milhões que no ano anterior.
Esta evolução foi sustentada por uma solidez financeira reforçada.
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