Episódio 2. Deslumbrada por Che Guevara
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Se quiser ouvir todos os episódios de seguida, basta ser assinante standard ou premium do Observador. Para assinar, vá a observador.pt/assinar. O ano de 1965 está a terminar e Raymond Candau vai regressar a casa na Suíça, sem a mulher. O diplomata já sabia que no fim do ano iria terminar a missão em Havana e rumar a Berna para outro desafio, mas os acontecimentos mais recentes apressaram tudo. Com a mulher ainda desaparecida, Raymond recebe ordens para sair de Cuba o mais rápido possível. Tem documentos secretos a passar-lhe nas mãos todos os dias e com o estranho desaparecimento de Ani, nem os suíços nem os norte-americanos estão confortáveis com a presença dele em Havana. Raymond nunca confiou em Ani a 100%. Há de dizer que nem a missão de deixar uma carta no correio lhe daria, quanto mais permitir-lhe ter acesso a dados da embaixada. Isso nunca passou pela cabeça do diplomata. Mas não é fácil que todos acreditem nessa versão. Seja como for, Raymond vai mesmo deixar Cuba. Mas antes de regressar à Suíça, ainda tem outra coisa a fazer. Apanha o avião em Havana com destino a Nova Iorque. Faz uma escala de dois dias nos Estados Unidos e a 23 de dezembro de 1965, aterra em Lisboa, no aeroporto da Portela. O sogro e diretor da Polícia Política, Silva Pais, já tinha conhecimento da chegada de Raymond. No momento em que se prepara para passar no controle de passaportes, o suíço é abordado por um agente da PIDE. Raymond entra no carro. O destino é a Rua de Moçambique, a casa dos sogros. O diplomata suíço foi mantendo os pais de Ani a par de tudo o que se estava a passar, do pouco que foi sabendo. Por isso não tem grandes novidades para contar sobre o desaparecimento. Mas quer comunicar-lhes uma decisão. Vai pedir o divórcio. Raymond sempre foi recebido como um filho na casa dos sogros. É um homem bem parecido, educado e com uma boa posição, que ainda para mais não suporta comunistas. Depois de várias relações falhadas, sempre sem a bênção da mãe, o diplomata suíço era tudo o que os pais sonhavam para Ani, diz Madeleine Anita Palhota. Armanda Palhota, a mãe de Ani, que Raymond trata carinhosamente como dona Anita, suplica ao genro que não se separe. Não vê futuro para a filha como divorciada. Já para não falar na reputação da família. Não aceita. Implora. Vê a decisão de Raymond como uma afronta pessoal.
Quando ela desaparece, eu acho que na altura estavam angustiados. Não eram zangados, estavam angustiados. Não sabiam o que se passava, o que é que estava a passar.
Ao pai faltam-lhe palavras. Fernando Silva Pais não quer acreditar. Está destruído. Nunca imaginou ter de passar por isto. O genro está a anunciar-lhe o divórcio numa altura em que o diretor da PIDE não tem notícias da filha há dois meses. Não sabe se ela está viva ou morta. Dentro de poucos dias vai finalmente saber. A carta que chega à casa dos pais de Ani, na Rua de Moçambique, é curta, mas pelo menos sossega Armanda e Fernando Silva Pais em relação a um dos maiores medos que tinham. A filha está bem.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.