OCDE pede prudência na política monetária e reformas urgentes para blindar dívida e preços na energia
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) pede aos governos e bancos centrais um exercício de contenção neste momento de inflação acima da meta e de custos de financiamento mais pesados.
No “Interim Economic Outlook” divulgado esta quarta-feira, a organização liderada por Mathias Cormann defende que a política monetária continue vigilante face ao novo choque energético, enquanto insta os Estados a acelerar reformas que garantam a sustentabilidade das contas públicas e reduzam a exposição a futuras crises no fornecimento de energia.
Segundo o documento, cerca de um terço de uma amostra de 37 bancos centrais subiu as taxas de juro diretoras desde março, “ainda que em muitos casos por uma quantia modesta”, com os técnicos da OCDE a destacaram particularmente a Reserva Federal dos EUA (Fed) que, recentemente, fez o primeiro aumento das Fed Funds em mais de três anos, ao anteverem agora uma nova subida das taxas no quarto trimestre e uma pausa ao longo do próximo ano, que colocaria as Fed Funds no intervalo 4%-4,25% ao longo de 2027.
A OCDE pede aos governos que promovam “esforços reforçados para conter e reafetar despesa, melhorar a eficiência do setor público e reforçar as receitas”.
Relativamente a outras geografias, os técnicos da OCDE antecipam ainda novos aumentos moderados das taxas de juro na Zona Euro, Austrália e Coreia do Sul , com o intuito de “ajudar a gerir riscos de um aumento das pressões inflacionistas”.
OCDE revê em baixa crescimento da Zona Euro para 1% em 2027 Ler Mais Além disso, o organismo prevê também que “se verifiquem novos aumentos das taxas de juro de referência no Japão , à medida que a política monetária acomodatícia for sendo gradualmente retirada” e, em contrapartida, “espera-se que as taxas de juro de referência se mantenham inalteradas no Canadá e no Reino Unido até ao final do próximo ano.” A OCDE justifica esta postura com a necessidade de os bancos centrais garantirem que “as pressões inflacionistas subjacentes sejam contidas de forma duradoura” , recordando que mais de metade dos países do G20 têm, à data do relatório, uma inflação acima da meta definida pelo respetivo banco central.
A organização, que agrega 38 membros, pede ainda “uma comunicação clara em todos os países para garantir que os fatores subjacentes às decisões de política e a forma como os riscos para a estabilidade de preços estão a ser avaliados e geridos sejam bem compreendidos”.
OCDE pede aos governos contas certas e apoios à energia direcionados No capítulo orçamental, a subida das taxas de juro de longo prazo da dívida pública surge como um dos principais desafios para os próximos anos.
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