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Portugal tem 6400 toneladas de urânio no subsolo e recusa avaliar quanto valem

ZAP ·
Portugal tem 6400 toneladas de urânio no subsolo e recusa avaliar quanto valem

O preço do urânio está cerca de 20% acima do registado há um ano, impulsionado também pela procura de energia nuclear para alimentar centros de dados de inteligência artificial.

Portugal tem o minério no subsolo e 90 anos de história mineira, mas não tem planos para avaliar o que lá está — e um especialista diz que a lei em vigor trava, na prática, qualquer prospeção.

O país explorou rádio e urânio durante nove décadas, em cerca de 60 minas, até ao encerramento da mina da Urgeiriça , no distrito de Viseu, em 2001.

Ao longo desse período extraiu cerca de 3.700 toneladas de urânio, segundo o Jornal Económico , que avança ainda que Portugal conta hoje com recursos “na casa das 6.400 toneladas” — um valor que o próprio jornal não atribui a nenhuma fonte oficial.

O mais recente Red Book da Agência Internacional de Energia Atómica e da Agência de Energia Nuclear da OCDE aponta, porém, para 7.000 toneladas de recursos identificados in situ em Portugal, das quais 5.300 toneladas seriam recuperáveis.

O relatório assinala que a avaliação portuguesa não tinha sido atualizada nos cinco anos anteriores.

Entre as áreas destacadas estão Nisa, no distrito de Portalegre, e a Horta da Vilariça, no distrito de Bragança, onde existe potencial ainda por estudar.

Para o ex-diretor da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) Mário Guedes , o urânio é “talvez o único potencial mineiro relativamente conhecido” do país.

Já o geólogo João Vermelho Neves sublinha que a quantidade é uma incógnita: “sabemos que temos, mas não sabemos quanto”, pelo que, diz, “não podemos falar em reservas”.

“Não está em curso qualquer iniciativa” para avaliar o potencial nacional em urânio ou reabrir antigas explorações, respondeu o Ministério do Ambiente e da Energia ao JE.

O quadro legal, aprovado em 2021 e alterado em 2022, acrescenta entraves, na leitura de Vermelho Neves: quem quisesse prospetar seria “chumbado à partida”, afirma. E há um travão político de fundo: mesmo Mário Guedes admite que “a opinião pública é fortemente contra “.

A resistência assenta também no passivo das antigas minas. A associação Ambiente nas Zonas Uraníferas (AZU), contra qualquer reabertura, diz que já foram gastos mais de 100 milhões de euros na recuperação ambiental, ainda por concluir.

“Foi um desastre económico, social, ambiental e humano”, afirmou ao JE o presidente da associação, António Minhoto .

No mercado, o preço spot do urânio rondava os 86 dólares por libra no final de julho, cerca de 21% acima de um ano antes. Amazon, Meta e Microsoft fecharam acordos ligados à energia nuclear, numa altura em que os centros de dados de inteligência artificial fazem crescer a procura de eletricidade.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em zap.aeiou.pt — o conteúdo pertence a ZAP.

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