Quem gere o risco de tesouraria?
O setor segurador está habituado a olhar para o risco através da lente da subscrição, da sinistralidade, do capital e da solvência.
É aí que tradicionalmente se concentram as atenções dos órgãos de gestão e fiscalização, das funções-chave e dos reguladores/supervisores.
Afinal, é a capacidade de assumir e gerir riscos que define o negócio segurador.
Mas talvez uma das perguntas mais relevantes para as empresas de seguros seja surpreendentemente mais simples.
E se o próximo incidente com impacto relevante não resultar de um grande sinistro, de um evento climático extremo ou de uma insuficiência de capital? E se resultar de uma falha de controlo interno na tesouraria? À primeira vista, a ideia pode parecer excessiva.
A tesouraria continua a ser frequentemente encarada como uma função operacional, responsável pela gestão de pagamentos, recebimentos, contas bancárias e posição de caixa.
Contudo, essa visão já não corresponde à realidade.
Num contexto marcado pela digitalização, pela crescente sofisticação dos esquemas de fraude e pela aceleração dos processos financeiros, a tesouraria transformou-se numa das funções mais críticas de qualquer organização.
Nas empresas de seguros, onde diariamente circulam milhões de euros entre clientes, beneficiários, hospitais, oficinas, prestadores de serviços, mediadores, resseguradores e instituições financeiras, uma falha de controlo pode ter consequências muito para além da dimensão financeira.
A verdade é que os riscos associados à tesouraria evoluíram significativamente.
Os ataques deixaram de depender da violação de sistemas complexos ou de conhecimentos técnicos avançados.
Hoje, muitas fraudes exploram algo muito mais simples.
Exploram a confiança.
Uma alteração fraudulenta de dados bancários, uma ordem de pagamento aparentemente legítima, um pedido urgente proveniente de uma identidade falsificada ou um acesso inadequadamente atribuído podem ser suficientes para desencadear um incidente com impacto relevante.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.