O valor de pertencer
“Podemos confiar em Portugal?” Ao longo dos últimos quinze anos acompanhei centenas de famílias que escolheram Portugal para investir, trabalhar, criar empresas ou educar os filhos e ouvi esta pergunta vezes sem conta.
Nunca era a primeira da reunião, mas era quase sempre a mais importante.
Com o tempo, entendi que o que leva os clientes a avançar não é o investimento, nem o prazo para a nacionalidade.
A decisão foi sempre sobre confiança – no país e nas pessoas.
E isso diz muito sobre Portugal: a sua posição geográfica, a estabilidade, a história e os valores que fizeram do país um lugar raro.
Num tempo em que a previsibilidade escasseia, a confiança é talvez o maior ativo estratégico que Portugal pode oferecer.
As recentes alterações à Lei da Nacionalidade merecem, por isso, uma reflexão cuidada.
Portugal não tem apenas o direito de valorizar a sua nacionalidade, tem o dever de o fazer.
A cidadania deve representar uma ligação real ao país e aos seus valores, e não ser apenas consequência automática de um investimento.
Podemos discutir o momento, a forma ou o impacto das soluções.
É legítimo questionar a ausência de proteção política para quem acreditou nas regras vigentes.
Mas este ajuste não visa limitar o acesso a Portugal: reafirma o valor de pertencer a esta comunidade única.
Os Estados não vivem apenas das suas leis.
Vivem do equilíbrio das instituições, da segurança, da qualidade de vida e, sobretudo, do compromisso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.