Colangite biliar primária: reconhecer a doença antes da lesão hepática avançada
Frequentemente silenciosa e predominante no sexo feminino, a doença pode evoluir para cirrose e doença hepática avançada, reforçando a importância da identificação e intervenção precoces.
Estima-se que cerca de 2 mil pessoas vivam com CBP em Portugal.
A doença afeta maioritariamente mulheres e surge habitualmente entre os 40 e os 60 anos, embora também possa ocorrer no sexo masculino.
Atualmente, não existe cura para a CBP, mas as opções terapêuticas disponíveis podem contribuir para melhorar a qualidade de vida, atrasar a progressão da doença e reduzir o risco de complicações, nomeadamente o desenvolvimento de cirrose.
“O acompanhamento médico regular é, por isso, essencial”, acrescenta a presidente da APEF.
Diagnóstico combina marcadores de autoimunidade e avaliação hepática A CBP caracteriza-se pela inflamação crónica das pequenas vias biliares no interior do fígado.
A persistência deste processo inflamatório pode provocar lesão progressiva do tecido hepático e conduzir ao desenvolvimento de fibrose.
A evolução clínica é variável.
Em muitos casos, a doença mantém-se ligeira ou moderada, sem alterações significativas da função hepática.
Noutros, pode progredir para doença hepática avançada, tornando a identificação precoce particularmente relevante.
O diagnóstico assenta na conjugação de dados clínicos e de exames laboratoriais e imagiológicos.
Entre os marcadores laboratoriais assumem particular importância os anticorpos antimitocondriais, associados à doença, entre outros marcadores de autoimunidade.
De acordo com Paula Peixe, a avaliação deve incluir também ecografia abdominal e elastografia hepática, exame que permite avaliar o grau de fibrose e acompanhar a evolução da doença.
“O diagnóstico atempado pode ajudar a evitar danos mais graves no fígado”, explica a presidente da APEF, salientando a importância de uma avaliação adequada e de um seguimento continuado.
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