Dor na osteoartrose: tratar para preservar a função
A osteoartrose (OA) é uma das doenças articulares mais frequentes e uma causa importante de dor, limitação funcional e perda de qualidade de vida.
Apesar disso, continua muitas vezes a ser banalizada como simples “desgaste” ou consequência inevitável da idade.
Esta visão é redutora.
A OA é uma doença complexa, na qual alterações estruturais, inflamação e mecanismos de dor interagem com fatores físicos, psicológicos e sociais.
A intensidade da dor nem sempre acompanha as alterações imagiológicas e, por isso, tratar exige olhar para os sintomas, para a função e para aquilo que a pessoa deixou de conseguir fazer.
Tratar a dor atempadamente é importante, mas não porque esteja demonstrado que a analgesia precoce, por si só, impeça a dor de se tornar persistente.
A intervenção precoce procura sobretudo evitar que uma exacerbação se associe a períodos prolongados de inatividade, perturbação do sono, receio do movimento, perda de força e redução da autonomia.
Estes fatores podem reforçar-se mutuamente e dificultar a recuperação, sobretudo na pessoa idosa ou com fragilidade.
Por isso, tratar não é apenas prescrever.
Educação, autogestão, exercício terapêutico e, quando indicado, redução ponderal são elementos centrais da abordagem da OA.
O exercício deve ser adaptado à capacidade, às preferências e aos objetivos de cada pessoa e pode incluir treino de força, exercício aeróbio e treino neuromotor.
Importa também explicar que algum desconforto transitório durante ou após o exercício não significa necessariamente dano articular.
O objetivo é manter o movimento possível e recuperar progressivamente a função.
A terapêutica farmacológica deve integrar esta estratégia e ser individualizada.
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