Central nuclear de Zaporíjia atacada três vezes nos últimos dias
A agência da ONU referiu que foi informada destes três incidentes ocorridos no início da semana, o que volta a destacar os perigos constantes para a segurança nuclear no contexto do conflito militar.
"Um ataque com drones, a 25 de agosto, terá ocorrido perto do tanque de refrigeração, ferindo dois funcionários da central" e, no dia seguinte, 26 de agosto, um segundo drone explodiu na zona do "armazenamento a seco de combustível nuclear usado", explicou a AIEA num comunicado publicado nas suas redes sociais.
Além disso, um terceiro aparelho terá colidido nesse mesmo dia com o dispositivo de pulverização do sistema das unidades de energia da instalação.
Embora "os níveis de radiação no local se mantenham normais", estes incidentes evidenciam o risco permanente para as instalações nucleares ucranianas durante os confrontos bélicos entre a Rússia e a Ucrânia, segundo a AIEA.
A agência da ONU não atribuiu a responsabilidade pelos ataques a nenhuma das partes em conflito.
No entanto, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, reiterou no comunicado que qualquer ataque contra centrais nucleares é inaceitável e voltou a apelar à máxima moderação militar para evitar o risco de um acidente com consequências imprevisíveis.
As forças russas assumiram o controlo de Zaporíjia - a maior central nuclear da Europa, dotada de seis reatores - nas primeiras semanas da invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.
Moscovo e Kyiv têm-se acusado mutuamente de pôr em risco a segurança da central.
Embora a instalação já não produza eletricidade porque os seus reatores se encontram em paragem técnica, continua a necessitar de um fornecimento elétrico constante e de sistemas operacionais para garantir a refrigeração do núcleo e do combustível nuclear usado, que ainda gera calor residual.
No passado dia 20 de agosto, a AIEA reportou que a central tinha perdido a última linha de abastecimento elétrico externo e que os sistemas dependiam de geradores de emergência.
Até à data, e desde o início deste ano, a central tinha registado 15 incidentes deste tipo. Desde o início da ocupação russa da central, este incidente a 20 de agosto constituiu o 27.º incidente deste género, de acordo com a operadora estatal Energoatom.
Apesar do risco nuclear, as zonas próximas da central continuam a ser alvo de ataques, como aconteceu na semana passada quando pelo menos uma pessoa morreu e outras 15 ficaram feridas num ataque ucraniano à cidade de Energodar, perto da central de Zaporíjia.
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