sexta-feira, 28 de agosto de 2026 PortaisSobre🌓
🇵🇹 PT ▾
ÚLTIMA HORA
Últimas

A silly season de São José Almeida

Observador ·
A silly season de São José Almeida

Como estamos em plena silly season e os políticos estão de férias, a jornalista São José Almeida ficou sem assunto para o seu artigo semanal e meteu-se a escrever sobre coisas que não domina. É isso que explica o seu artigo do passado dia 15 de Agosto, no jornal Público , no qual censurou os portugueses por não terem dado importância a uma passagem da encíclica Magnifica Humanitas , de 15 de Maio de 2026, na qual, segundo escreveu equivocadamente a jornalista, “o Papa Leão XIV pede desculpa pelo silêncio e conivência da Igreja Católica Apostólica Romana para com a escravização entre os séculos XV e XIX”. São José Almeida sublinhou que o Papa lamentava “o atraso com que a Igreja e a sociedade condenaram o flagelo da escravatura”, e que tivesse sido preciso esperar até ao século XIX “para se encontrar uma condenação formal, absoluta e universal da escravatura, em particular com Leão XIII”. Estas ideias do actual Papa trouxeram à memória de São José Almeida o discurso de Lídia Jorge proferido a 10 de Junho de 2025 e levaram-na a concluir que “existe em Portugal medo de olhar para a História do país, existe um ensurdecedor silêncio e um real bloqueio da capacidade autocrítica de muitíssimos portugueses. Talvez por isso, quer intelectuais, quer políticos continuem a calar o passado, em muito do que esse passado construiu de negativo”.

Ora, há aqui três erros de monta. É preciso dizer, em primeiro lugar, que São José Almeida leu mal pois, na encíclica, o Papa Leão XIV pediu desculpa por toda a escravatura, de todos os seres humanos — “em nome da Igreja, peço sinceramente perdão” —, e não apenas pela que envolveu africanos a partir do período dos Descobrimentos. Aliás, a encíclica nem sequer refere o século XV, ao contrário do que São José Almeida afirmou — o documento original, nomeadamente os seus pontos 175 e 176, pode ser lido aqui —, e fala, lamentando-a, em 18 séculos de tolerância da Igreja para com a escravatura, sendo, portanto, óbvio que não se refere apenas ao sistema escravista transatlântico que explorou escravos africanos e ameríndios e que existiu apenas durante quatro séculos.

Há, depois, um erro de interpretação por, suponho eu, desconhecimento. O Papa Leão XIV afirmou, e muito bem, que “os acontecimentos do passado não podem ser considerados de forma a-histórica, como se os critérios amadurecidos ao longo do tempo tivessem estado sempre disponíveis”. Todavia, logo acrescentou que “não podemos negar ou minimizar o atraso com que a Igreja e a sociedade condenaram o flagelo da escravatura”. São José Almeida não soube interpretar este sentimento de atraso, e o lamento a ele associado, e isso justifica que eu acrescente aqui algumas palavras sobre o assunto. Há claramente, da parte da actual Igreja um mau estar relativamente ao seu passado na matéria.

Ler a notícia completa no Observador ›

Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

Mais de Observador

Ver tudo ›

Mais em Últimas

Ver tudo ›