Brasil e Angola celebram acordo para desenvolvimento do agronegócio
O Secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, Alex Giacomelli, que participou no Encontro Empresarial Angola-Brasil 2026, destacou que Angola dispõe de mais de 30 milhões de hectares de terras aráveis e será brevemente assinada a proposta de Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola.
Angola e o Brasil pretendem reforçar a parceria na área do agronegócio, tendo o país africano disponibilizado uma área de 800 mil hectares para a vinda de empresários brasileiros para o território angolano.
Recentemente, o ministro da Agricultura e Florestas angolano, Isaac dos Anjos, manifestou-se insatisfeito com o impasse para a materialização deste projeto, para o qual foi já criada uma estruturação financeira, com a participação do BNDES (45%), B-B-PROEX (23%), BDA (5%), FDESA (17%) e produtores (10%).
“Compreendam, já não estou mais disponível para pôr o meu joelho [no chão] a pedir: venham. Se não quiserem vir, não precisam de vir, mas também não precisam de estar aqui todo o tempo a debitar inconvenientes, insucessos, incapacidades. Já chega”, referiu, na altura, Isaac dos Anjos durante o Fórum do Agronegócio Angola/Brasil, realizado há duas semanas em Luanda.
Em declarações à imprensa, à margem do Encontro Empresarial Angola-Brasil 2026, o diretor administrativo de 'Supply Chain Management' do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) do Brasil, André Taveira, referiu que estão a acompanhar as negociações, que ainda não chegaram ao término.
“São conversas de aproximações sucessivas, o Governo brasileiro, o BNDES, está a par dessas negociações, mas ainda não chegámos nos termos finais, ainda existe um processo para que as coisas aconteçam”, referiu.
André Taveira sublinhou que “ainda existem alguns acordos comerciais que precisam de ser finalizados para, na sequência, o acordo de financiamento estar vigente”.
Por sua vez, a embaixadora do Brasil em Angola, Eugénia Barthlmess, disse que já se aproximam do final as conversações, rejeitando que haja algum entrave para que o projeto avance.
“Não há entrave, esse processo está em andamento, o embaixador Alex Giacomelli na intervenção mencionou esse processo, é um processo em construção e um instrumento bilateral, entre os dois Governos, tem o seu próprio tempo e está se aproximando, como indicou o secretário”, frisou.
A diplomata brasileira considerou que a deslocação da missão empresarial a Angola é uma demonstração do grande interesse do setor privado do seu país por Angola, “amparado pelo Governo para estabelecer uma conexão mais próxima com Angola do ponto de vista de parcerias e negócios e de prospeção de investimentos”.
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