A praia é um bem comum. Não um privilégio restrito.
As praias são um bem comum - é a nossa legislação que o diz, de forma clara.
Mas não é apenas na lei que esta frase tem força.
É também na nossa consciência coletiva que esta ideia está enraizada com tanta força.
E não é por acaso.
Uma ida à praia tem o sabor de um direito adquirido: a popularização de dias na praia veio com a conquista das férias pagas, uma revolução gigante do trabalho no século XX.
Na praia esbatem-se diferenças de classe, de estatuto e, generalizando, todos podem gozar da mesma forma do areal e da água salgada do mar.
Por tudo isto, a praia é também um símbolo da democracia e da igualdade.
Também por isso é que é tão revoltante a privatização das praias que tem vindo a acontecer.
É um sinal claro da desigualdade crescente e da transformação de um bem comum de todos num privilégio de alguns.
Por vezes é feita às claras - como está a tentar ser feito pelos donos da Herdade da Comenda, na Arrábida.
Mas na maior parte das vezes a privatização é feita de forma encapotada.
Os terrenos junto à praia são comprados para hotéis de luxo ou condomínios privados hiper-mega-exclusivos.
E depois fecha-se o cerco à praia para que o povo lá não consiga ir.
Esse fecho pode acontecer pelos preços proibitivos do transporte - como aconteceu com o ferry entre Setúbal e a sua Troia - ou por tornar os acessos à praia uma corrida de obstáculos e indicados como privados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.