Enquanto os EUA crescem, a estagflação ameaça a Europa
A economia americana continua a surpreender pela resiliência.
O GDPNow da Fed de Atlanta estima neste momento um crescimento de 5,1% no 3º trimestre.
A própria Fed, no seu outlook trimestral, reviu ligeiramente em alta a previsão para o crescimento em 2026, de 2,2% para 2,3%.
Ao mesmo tempo, reviu em baixa a taxa de desemprego de 4,3% para 4,1%, e em ligeira alta a inflação PCE de 3,6% para 3,7%.
Apesar de o choque energético penalizar também os consumidores americanos, com a gasolina a subir 11% desde o início de setembro, de 3,13 para 3,47 dólares por galão, há diferenças claras face à Europa.
O gás natural Henry Hub continua nos níveis anteriores ao conflito no Médio Oriente, nos 3 dólares por MMBtu.
A abundância de gás natural limita o impacto sobre a indústria, a eletricidade e o rendimento disponível.
Já o TTF holandês, referência do gás natural europeu, subiu mais de 150% desde o início do ano.
O mercado obrigacionista evidencia que a subida das yields americanas não está a ser ditada sobretudo pela inflação.
O rendimento do tesouro a 10 anos subiu de 3,97% no dia 28 de fevereiro para os atuais 5%.
Nesse período, a taxa de juro real a 10 anos aumentou de 1,72% para 2,70%, enquanto o breakeven da inflação, que reflete as expectativas de inflação do mercado, subiu apenas de 2,25% para 2,33%.
Ou seja, a maior parte da subida da yield nominal veio da componente real.
O breakeven da inflação é calculado pela diferença entre o rendimento nominal de uma obrigação do tesouro e a yield de uma obrigação indexada à inflação (TIPS).
Já a taxa real retira esse efeito da inflação.
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