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Trump é "único Presidente a colocar no poder uma comunista"

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Trump é "único Presidente a colocar no poder uma comunista"

O que aconteceu após o dia 3 de janeiro foi “muito estranho” para Javier Corrales. O professor de Ciência Política na Universidade de Amherst e especialista em política latino-americana e venezuelana considera que a solução encontrada pelos Estados Unidos da América (EUA) após a captura do antigo Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, continua a motivar várias questões. A Casa Branca optou por manter no poder rostos do chavismo, claramente de esquerda, e deixou a principal opositora, María Corina Machado, de fora da participação política no país.

Em entrevista ao Observador, o porto-riquenho e filho de dissidentes cubanos Javier Corrales comenta o atual processo de democratização em curso, em que estão a participar desde 1 de agosto membros da Assembleia Nacional de 2015 e líderes do atual regime. O especialista doutorado em Harvard, que escreveu em 2023 o livro Autocracy Rising: how Venezuela Transitioned to Authoritarianism (sem edição em português), tem poucas dúvidas de que seja uma estratégia norte-americana para manter tudo praticamente na mesma: “O que os Estados Unidos estão a fazer é colocar intencionalmente dois atores muito fracos a negociar uma transição muito vaga para a democracia”.

A transição democrática, aliás, nem sequer é do “interesse” de muitos dirigentes norte-americanos. Ainda assim, o professor universitário faz uma exceção: considera que Marco Rubio não gosta da liderança chavista e que se fosse o secretário de Estado a mandar tê-la-ia descartado “desde o início”. “Eu não acho que Marco Rubio quisesse fazer um acordo com Delcy Rodríguez. Acho que ele teria preferido livrar-se deles logo ao início”, diz. No entanto, para Donald Trump e outros rostos da presidência, a solução atual continua a servir os propósitos: lucrar com o petróleo venezuelano .

O professor universitário acredita que, por causa do apoio norte-americano, o “chavismo nunca esteve tão vivo” como está agora. Delcy Rodríguez conseguiu manter ao seu lado alguns rostos do antigo regime, mas continua a ser uma “madurista”. No regime venezuelano, a “liderança de topo sabia que, se não tivesse havido este acordo entre os Estados Unidos e Delcy Rodríguez, teriam sido depostos e enviados para a prisão. Eles veem-na como alguém que os salvou”.

Já sobre a exclusão de María Corina Machado, Javier Corrales insiste que é “muito estranho”, mas aponta que terá sido causada por um acordo entre a administração Trump e Delcy Rodríguez, que teme a “popularidade” da opositora. Para o especialista, a mulher que venceu o Prémio Nobel da Paz continua “um pouco iludida” e deveria estar mais agradecida ao antigo Presidente norte-americano, Joe Biden — e não tanto a Donald Trump.

A Venezuela, desde 3 de janeiro, tem um novo regime. Recentemente, a 1 de agosto, começou um processo de democratização liderado pela médica Dinorah Figuera, juntamente com rostos do chavismo. O que pensa deste processo? O que pode alcançar para a Venezuela? Em muitos aspetos, o problema é saber por que razão é que isto está a ir tão devagar. A 3 de janeiro, o que os Estados Unidos fizeram foi, de muitas formas, relativamente banal, mas também muito estranho.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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