Da habitação à indústria e agricultura, Comité das Regiões alerta Europa para pontos de fratura
Portugal e seis outros países enfrentam “declínio mais intenso” em número de explorações agrícolas e jovens agricultores, aponta o relatório apresentado esta segunda-feira em Bruxelas Lusa A União Europeia (UE) tem pela frente inúmeras armadilhas ao seu desenvolvimento e ao posicionamento estratégico no globo, alerta o relatório do estado das regiões e cidades apresentado nesta segunda-feira em Bruxelas pelo Comité Europeu das Regiões (CER).
O documento aponta o dedo a opções das últimas décadas e fala de uma fratura entre os mundos rural e urbano, acelerada por “décadas de desinvestimento em setores chave” que “estão a ameaçar crescentemente a coesão económica, social e territorial da UE”.
É neste quadro que o documento coloca as negociações para o orçamento europeu no horizonte 2028-2034 .
“A arquitetura de financiamento proposta arrisca enfraquecer o toco territorial do investimento da UE e aumentar a competição entre o desenvolvimento rural e outras políticas públicas”, alerta o CER.
Portugal , bem como Espanha, Malta, Itália, Grécia, Roménia e Chipre surgem como os países com “declínio mais intenso” em número de explorações agrícolas e jovens agricultores , em contraponto com a Áustria, onde 20% dos agricultores têm menos de 40 anos.
A arquitetura de financiamento proposta arrisca enfraquecer o toco territorial do investimento da UE e aumentar a competição entre o desenvolvimento rural e outras políticas públicas.
Comité Europeu das Regiões O tema do “Made in Europe” , discutido em Bruxelas para dar maior fulgor aos produtos europeus, não passa ao lado no documento, que, validando os efeitos positivos na autonomia estratégica do continente, resiliência industrial e segurança económica, bem como na criação de empregos com qualidade nas regiões europeias, alerta para o risco de algumas das regiões poderem ser afetadas pela retaliação feita a partir do exterior sobre determinado país ou grupo de países da UE.
Exemplo disso, uma guerra tarifária do Governo americano contra produtos espanhóis, no âmbito do antagonismo entre Trump e Pedro Sánchez, poderia afetar não só o azeite ou o vinho espanhóis, mas também os produzidos em Portugal.
Um país que, na semana passada, o secretário de Estado americano Marco Rubio apontou como “porta de entrada ideal” dos produtos tecnológicos americanos na Europa .
O “Made in Europe” surge referido também numa nota que se pode enquadrar num desejo de protecionismo , sugerindo a adoção pelas regiões, nos contratos públicos, de critérios para lá do preço.
Em alternativa, os decisores deveriam optar pela descarbonização, exigências de circularidade e ter em conta o “‘Made in Europe’”, indica o relatório do Conselho Europeu das Regiões.
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