Novas sanções da União Europeia contra a Rússia testam aliança com os EUA
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, reunidos esta segunda-feira, 12 de outubro, decidiram avançar com o novo pacote que aumenta a pressão das sanções que foram anteriormente decididas.
O novo pacote – que será o 22.º – abrange cerca de 1.600 indivíduos e organizações associadas ao complexo militar e industrial russo.
Com este acréscimo, o total de visados por congelamento de bens e proibição de viagens para a Europa aproxima-se dos 4.700.
A lista inclui também dezenas de figuras políticas e funcionários associados à organização de eleições em zonas da Ucrânia que a União considera ilegalmente ocupadas pela Rússia.
As sanções atingem também diretamente a cadeia de produção de mísseis balísticos (e outros), com o objetivo de asfixiar a capacidade russa de fabricar armas utilizadas na guerra contra a Ucrânia.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, garantiu que o bloco europeu vai continuar a aumentar a pressão financeira e política sobre Moscovo e que espera que os Estados Unidos apoiem essa determinação.
Ora, Donald Trump escreveu nas redes sociais que “A União Europeia pagou 250 biliões de dólares à Rússia por energia, e os media de notícias falsas não querem nem chegar perto dessa história”.
Aparentemente, com este comentário, o presidente dos Estados Unidos está a chamar hipócrita a decisão da União, num quadro em que Washington acaba de concluir com Moscovo um acordo de compra de milhões de barris de diesel russo – pelo menos até abril do próximo ano – para fazer face à escassez daquele combustível no mercado interno norte-americano.
“Eu fiz a escolha certa para o povo americano — SEMPRE, AMÉRICA EM PRIMEIRO LUGAR!”, dizia ainda o ‘post’.
De bem com Kiev e de mal com Washington A União Europeia continua assim firmemente ao lado da Ucrânia e do seu presidente Volodymyr Zelensky – a quem Trump recomendou durante o fim de semana que deixasse o cargo porque não tinha aproveitado nenhuma oportunidade para acabar com a guerra.
Resta saber se esse será o interesse imediato de Kiev.
É que Trump deixou no ar a possibilidade de, perante a recusa da Europa aceitar o acordo dos EUA com a Rússia, a quantidade de armas que têm sido compradas pelos europeus para proverem às necessidades dos ucranianos poder sofrer uma redução.
Ou seja, o presidente dos Estados Unidos pode decidir diminuir o fluxo das vendas como forma de obter o que tinha exigido: o fim dos ataques ucranianos ao complexo energético russo.
Isso mesmo é referido esta segunda-feira pelo jornal ucraniano ‘Kyiv Independent’, que cita fontes que confirmam que os Estados Unidos ameaçam cortar a partilha de informações e o envio de armas para a Ucrânia para proteger refinarias de petróleo russas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.