Trump está a preparar o terreno para impor o estado de emergência?
A Casa Branca e agências federais dos Estados Unidos divulgaram uma série de documentos – incluindo análises controversas de supostos votos ‘fantasmas’ – que estão a alimentar a eventualidade de Donald Trump decidir tomar medidas para exercer maior controlo sobre as eleições intercalares do próximo mês de novembro.
Em julho, presidente disse num discurso passado nas televisões que as eleições são vulneráveis à manipulação estrangeira para de seguida voltar à tese da sua vitória ‘roubada’ em 2020.
O discurso de Trump levou Steve Bannon, seu ex-estratega e um dos líderes da extrema-direita norte-americana (que alimenta relações com as extremas-direitas do respo do planeta), a prever que o presidente dos Estados Unidos declarará estado de emergência por motivos de segurança nacional para “proteger” as eleições.
“Reservem a última semana de agosto” para saberem mais sobre o processo, escreveu, em tom premonitório.
Congressistas democratas e organizações ligadas à observação do processo político interno parecem ter anotado as palavras de Bannon – que, de facto, não costumam ser vãs.
A presença de Tulsi Gabbard, ex-diretora de Inteligência Nacional de Trump, numa operação do FBI no condado de Fulton, na Geórgia, obrigou-a a dar explicações ao Congresso dos Representantes, onde disse que liderava uma investigação sobre alegações de interferência estrangeira nas eleições.
A equipa de Gabbard esteve envolvida na apreensão e exame de equipamentos de votação em Porto Rico e passou meses a analisar possíveis vulnerabilidades nas urnas eletrónicas.
Quando Gabbard renunciou, em 30 de junho passado, Trump nomeou um seu aliado de longa data, Bill Pulte, como substituto interino, uma medida muito criticada por membros de ambos os partidos.
Embora Jay Clayton tenha entretanto assumido o cargo em permanência, Pulte continuou a promover a narrativa de interferência eleitoral.
Depois do pronunciamento de Trump nas televisões, uma equipa da Casa Branca – composta por membros do gabinete do diretor de Inteligência Nacional, da Agência de Segurança Nacional, da Agência Central de Inteligência e do Departamento de Segurança Interna (DHS) – começou a divulgar documentos desclassificados sobre “integridade eleitoral” no site da Casa Branca.
O primeiro lote incluía memorandos de inteligência desclassificados que descreviam vulnerabilidades em urnas eletrónicas, acesso estrangeiro a dados de registo de eleitores e estratégias estrangeiras de manipulação digital.
Grande parte do material já era do conhecimento público e representava uma avaliação da inteligência norte-americana que não encontrou evidências de que Pequim tenha alterado a votação de 2020, na qual Trump perdeu mas diz ainda que ganhou.
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