Calçado da Shein e Temu ‘roto’ em testes de segurança com regras europeias
Mais de um terço (35,5%) dos pares de calçado adquiridos em grandes plataformas internacionais de comércio eletrónico apresenta incumprimentos das normas europeias relativas à presença de substâncias químicas potencialmente perigosas para a saúde dos consumidores.
O estudo coordenado pela Confederação Europeia do Calçado (CEC) e que visava avaliar o cumprimento das exigências europeias de segurança e conformidade dos produtos, foi realizado entre fevereiro e maio deste ano e envolveu a aquisição de calçado nas plataformas Shein, Temu e AliExpress, em sete países europeus (República Checa, França, Alemanha, Itália, Portugal, Espanha e Reino Unido).
Portugueses compram mais de seis pares de calçado por ano Ler Mais Dos 76 pares submetidos a análises em diversos centros e laboratórios especializados localizados em vários países europeus, incluindo no Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP), houve 27 a apresentarem, pelo menos, uma não conformidade com os limites regulamentares aplicáveis relativos a substâncias químicas.
A segurança dos consumidores e a concorrência leal não podem ser sacrificadas em nome de preços artificialmente baixos.
Luís Onofre Presidente da APICCAPS E a situação é “ainda mais preocupante” no segmento do calçado de segurança, com oito dos dez modelos submetidos a ensaios a ‘chumbar’ em, pelo menos, um dos requisitos.
Entre as falhas detetadas estão deficiências na resistência ao escorregamento e à perfuração, na proteção contra impactos e compressão, na resistência das biqueiras e na ligação entre a parte superior do calçado e a sola.
Segundo os dados divulgados em Bruxelas e partilhados pela associação dos industriais portuguesa (APICCAPS), nas três amostras provenientes da AliExpress não foram identificados incumprimentos , ao passo foram identificadas “não conformidades” em quase metade (48,1%) dos 27 pares adquiridos na Shein e em 30,4% dos 46 pares que foram encomendados na também chinesa Temu.
Portugal já produz mais sapatos que Espanha.
Preço sobe 2,5% Ler Mais “Não se pode exigir à indústria europeia o cumprimento das regras mais exigentes do mundo e permitir, simultaneamente, que entrem no nosso mercado produtos que não respeitam essas mesmas regras .
Este enviesamento está, por um lado, a condicionar a atividade das empresas europeias e, em simultâneo, a colocar os próprios consumidores em risco”, alerta Luís Onofre, presidente da APICCAPS, citado em comunicado.
O líder dos industriais portugueses, que superaram Espanha no fabrico de sapatos , ressalva que não pretende novas barreiras, mas “regras iguais para todos”.
“Não queremos protecionismo, queremos reciprocidade.
Não pedimos privilégios para a indústria europeia, exigimos apenas que todos os operadores concorram nas mesmas condições.
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