Viver cem anos, ou mais, no Brasil, e os desafios que se colocarão para o país
A possibilidade de alcançar uma vida centenária deixou de ser uma raridade biológica para se tornar um horizonte demográfico bastante realista e possível no Brasil, impulsionada por avanços médico-sanitários, novas tecnologias em saúde e medicamentos, melhores hábitos alimentares e exercícios físicos, além da queda acentuada na taxa de mortalidade infantil.
O cenário de uma longevidade ampliada para cem anos, ou mais, requererá um redesenho amplo da estrutura social, das engenharias institucionais e de políticas públicas para lidar com essa nova pirâmide etária do país, exigindo profundas e rápidas transformações em diversas frentes.
Para estruturar essa transição, a literatura contemporânea — capitaneada por obras seminais como The 100-Year Life (A Vida de 100 Anos), dos professores da London Business School Lynda Gratton e Andrew Scott — propõe a superação do modelo tradicional de vida em três estágios (educação, trabalho e aposentadoria) rumo a uma existência multiestágio, pautada pela reinvenção contínua dos trabalhadores, retreinamentos para novas tecnologias e flexibilidade nas próprias relações de trabalho e nos mecanismos de proteção social, públicos e privados.
O prolongamento da vida, na magnitude e velocidade que estamos propondo, trará impactos importantes sobre a saúde física e mental, gerando uma pressão intensa sobre os gastos públicos e privados com o setor.
O grande desafio da geriatria moderna não é apenas estender os anos vividos, mas expandir o período de saúde ativa (healthspan), minimizando, como consequência, os anos de fragilidade crônica e o avanço de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
No Brasil, esse cenário gera dificuldades relacionadas aos custos de manutenção do Sistema Único de Saúde (SUS) e tende a elevar os dispêndios com planos de assistência privada suplementar, colocando em xeque a amplitude e o acesso mais extenso a coberturas e serviços adequados de saúde.
Como efeitos secundários, deverá haver redirecionamento massivo de recursos para a medicina preventiva, acompanhamentos mais próximos, e com menor custo unitário, das condições crônicas, via soluções tecnológicas, além da formação urgente de uma massa de profissionais especializados em cuidados geriátricos.
No mercado de trabalho, os desafios não serão menos intensos, com a jornada centenária exigindo uma quebra do preconceito corporativo baseado na idade, o chamado etarismo.
O modelo corporativo atual, e os próprios incentivos e rigidezes de regras, ainda falham ao não absorver a experiência de profissionais mais seniores na intensidade necessária, criando uma desconexão entre a capacidade laboral estendida e as oportunidades de contratação que hoje vigoram.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.