Com ajuda de Motta e Alcolumbre, Lula tenta sair do sufoco do caso Lulinha
Enrolado nas revelações sobre traficâncias de Lulinha com uma lobista no governo, o presidente Lula promoveu, nesta quarta-feira, um almoço com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para tentar criar uma agenda positiva neste início de campanha.
Com provas de sobra a revelar que o filho e até um assessor presidencial receberam vantagens financeiras da lobista Roberta Luchsinger, Lula sabe que esse tema pode envenenar sua campanha à reeleição.
Ele precisa, portanto, mudar de assunto.
Nos últimos dias, Lula teve que responder sobre as investigações contra o filho, sobre o dinheiro do chefe de gabinete e chegou até a fugir de uma entrevista, ao ser questionado novamente sobre o tema.
Pegou mal, claro.
Para sair desse ciclo nada positivo para quem precisa de votos em outubro, Lula lançou na mesa a carta do Congresso.
Numa tacada, prometeu avanços na proposta que acaba com a jornada 6×1, o fim da taxa das blusinhas, a discussão do projeto sobre minerais críticos e a aprovação da PEC da Segurança Pública, seguida da criação do Ministério da Segurança Pública.
Continua após a publicidade A jogada tem forte cheiro de ilusionismo político em período eleitoral.
Foi o governo do PT que criou a taxa das blusinhas e agora tenta faturar politicamente derrubando a medida impopular a milhares de clientes que compram roupas baratas pela internet.
Lula passou todo o seu terceiro mandato boicotando a discussão de mudanças na segurança pública.
Sempre que o assunto chegava ao gabinete, ele rejeitava discutir a criação de um ministério para a área.
Agora que o avanço da violência no país virou tema eleitoral, com favorecimento da direita na discussão, o petista vestiu a fantasia de defensor da criação do ministério e da aprovação de mudanças na área de segurança pública.
Continua após a publicidade O presidente tem todo direito de reconhecer um erro, uma omissão e recalibrar a rota.
Na discussão da segurança, no entanto, esse movimento fica prejudicado pela proximidade da eleição, algo que soa como oportunismo eleitoral.
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