Carbono Oculto liga empresário de Dourados a R$ 291 milhões e metanol “fantasma”
A indústria administrada por César Cirne Leal em Dourados teria sido usada como destino fictício de mais de 10,8 milhões de litros de metanol desviados para o esquema de adulteração de combustíveis investigado pela Operação Carbono Oculto.
Essa informação consta na denúncia completa obtida pelo Campo Grande News .
O documento foi apresentado pelo MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) contra César e outras 15 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa que atuou entre 2017 e 2025.
Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), César colocava a estrutura da Oreonn Indústria e Comércio de Óleos Vegetais e Químicas Ltda. à disposição do grupo para dar aparência regular às compras de metanol.
O empresário teria a função de “chancelar documentalmente” aquisições feitas por Everton Felipe de Barros, conhecido como Soró, e Admar de Carvalho Martins, o Dema.
Com isso, conforme a acusação, a Oreonn aparecia nas notas fiscais como compradora e destinatária regular do produto.
Entretanto, a maior parte das cargas não chegava à fábrica de Dourados e seria descarregada em outros locais, principalmente em São Paulo.
O metanol era posteriormente usado na adulteração de gasolina vendida em postos de combustíveis.
Destino no papel - Entre janeiro e agosto de 2025, a filial da Oreonn em Dourados teria comprado 10.827.108 litros de metanol da Quantiq Distribuidora.
O volume se refere exclusivamente às aquisições registradas em nome da unidade sul-mato-grossense e não inclui as compras atribuídas à matriz da empresa, localizada em Barueri, na região metropolitana de São Paulo.
A Sefaz-MS (Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul) analisou 153 DANFEs (Documentos Auxiliares da Nota Fiscal Eletrônica) emitidos para a indústria de Dourados naquele período.
Apenas duas cargas apresentavam registro automático de passagem vinculado ao MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais).
As outras 151 não tinham o registro que permitiria confirmar o deslocamento dos caminhões até Mato Grosso do Sul.
Para os promotores, o resultado reforça a conclusão de que a “esmagadora maioria” das cargas documentadas como destinadas à Oreonn jamais chegou à fábrica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.