Irã pede à ONU que condene ‘terrorismo econômico’ dos EUA: ‘escolha é entre submissão ou soberania’
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) e a seus Estados-membros que condenem a nova ofensiva econômica dos Estados Unidos contra Teerã, classificando-a como uma campanha de “terrorismo econômico”.
Em carta enviada nesta quinta-feira (27/08) ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e à presidência do Conselho de Segurança, Araqchi denunciou a operação anunciada por Washington na segunda-feira (24/08), que prevê retaliações a países e entidades que mantenham relações econômicas com o Irã.
Segundo o chanceler, após não conseguirem alcançar seus objetivos nas guerras contra o Irã em 2025 e 2026, nem convencerem outros países a participarem dos conflitos, os Estados Unidos agora recorrem às ameaças de sanções secundárias e de exclusão do sistema financeiro norte-americano para pressionar Estados a interromperem relações comerciais legítimas com Teerã.
“Medidas coercitivas unilaterais e sanções secundárias têm como objetivo pressionar Estados soberanos a mudarem suas relações econômicas legais”, afirmou Araqchi, que solicitou que a carta seja distribuída como documento oficial do Conselho de Segurança.
O ministro argumentou que a ofensiva busca impor as leis e os objetivos da política externa dos Estados Unidos, interferindo nas decisões econômicas de outros países. A prática, afirma, viola o princípio da igualdade soberana previsto no Artigo 2(1) da Carta da ONU e o direito dos Estados de definirem livremente suas políticas econômicas e externas.
O chanceler fez um apelo ao Conselho de Segurança da ONU e países-membros da ONU para que condenem e rejeitem as medidas coercitivas unilaterais e as sanções secundárias de Washington; que não permitam a implementação dessas medidas; e, também, que exijam dos Estados Unidos a interrupção imediata de ameaças e ações contra países terceiros.
“A escolha é entre defender os princípios de igualdade soberana, não intervenção e respeito aos direitos soberanos dos Estados, ou submissão ao unilateralismo e intimidação por parte de um Estado desonesto”, afirmou Araqchi.
Irã pede à ONU que condene ‘terrorismo econômico’ dos EUA: ‘escolha é entre submissão ou soberania’ Agência Tasnim
Araqchi alertou para as consequências das sanções sobre a população civil iraniana. As restrições afetam “o acesso a alimentos, medicamentos, equipamentos médicos, energia, transporte e assistência humanitária, atingindo direitos fundamentais, entre eles os direitos à vida, à saúde, à alimentação e a um padrão de vida adequado”, afirmou.
O Irã pediu a Guterres que avalie e apresente um relatório sobre as consequências humanitárias e para os direitos humanos das medidas adotadas por Washington.
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