Tenente do Exército é condenado a 63 anos de prisão por entregar três jovens a traficantes no Rio
Lei de 2017 transferiu da Justiça comum para a Justiça militar a prerrogativa de julgar crimes de homicídio de militares contra civis, em operações Divulgação / Superior Tribunal Militar O tenente do Exército Vinicius Ghidetti de Moraes Andrade foi condenado a 63 anos de prisão por três homicídios triplamente qualificados relacionados às mortes de três moradores do Morro da Providência, no Centro do Rio, em 2008.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (21) pelo Conselho Especial de Justiça do Exército, por unanimidade. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Segundo a sentença, Ghidetti entregou Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, de 19 anos; David Wilson Florenço da Silva, de 24; e Marcos Paulo Rodrigues Campos, de 17, a traficantes armados do Morro da Mineira, que era dominado por uma facção rival à da Providência.
Os três foram posteriormente mortos.
Agora no g1 A Justiça Militar considerou que o militar sabia e assumiu o risco de que os jovens fossem mortos.
A sentença aponta que as provas demonstraram que Ghidetti contrariou uma ordem direta de seu superior para libertar os três jovens e prosseguiu com o deslocamento até o Morro da Mineira.
A condenação foi estabelecida em 21 anos para cada homicídio, totalizando 63 anos pelo chamado concurso formal imperfeito, quando as penas são somadas.
O regime inicial determinado é o fechado.
Apesar da condenação, o militar poderá recorrer em liberdade.
A sentença afirma que não estavam presentes, naquele momento, os requisitos para decretar a prisão preventiva.
Entenda o caso O crime aconteceu em 14 de junho de 2008, quando militares do Exército atuavam no Morro da Providência em uma operação relacionada à segurança de obras do programa Cimento Social.
De acordo com a denúncia descrita na sentença, os três jovens foram abordados depois de um suposto desacato a militares.
Eles foram levados em uma viatura do Exército e entregues a traficantes armados do Morro da Mineira.
Segundo a decisão, as vítimas foram mortas depois de serem submetidas a tortura e atingidas por 46 disparos de arma de fogo.
A sentença também menciona sinais de crueldade e amarras nos punhos encontradas nos exames cadavéricos.
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