Empresa de vice de Tarcísio foi punida por envio ilegal de dinheiro aos EUA
O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, do MDB, era sócio de uma empresa que enviou dólares para os Estados Unidos de forma ilegal, segundo documentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Carf.
Essa transferência de dinheiro nas sombras foi descoberta após investigações do escândalo do Banestado, um esquema bilionário de remessa ilegal de divisas para o exterior e lavagem de dinheiro, que ocorreu entre 1996 e 2002.
Documentos enviados pela Promotoria de Nova York, nos Estados Unidos, para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a CPMI, do Banestado – que investigou esse escândalo no Congresso Nacional – revelaram a existência de remessas de valores para o exterior, propositalmente ocultadas, pela Ramuth e Ramuth Ltda, também chamada de Gasômetro do Vale no ano 2000, época em que Felício Ramuth era sócio da empresa.
Hoje ela é conhecida como Gasômetro Madeiras .
O pai e o irmão do vice-governador, Elcio e Samy Ramuth respectivamente, são os atuais sócios da empresa, que tem sede em São José dos Campos, em São Paulo, e atua no comércio de máquinas para marcenaria, acessórios e ferragens para móveis.
O vice-governador de São Paulo saiu da empresa em junho de 2007, época em que o caso era analisado pelo Carf.
O esquema consistia no envio de dinheiro de Foz do Iguaçu, no Paraná, a partir de contas em nome de laranjas, para uma agência do Banco do Estado do Paraná, o Banestado, em Nova York, nos Estados Unidos.
Em seguida, o valor era direcionado para outras contas, mantidas no JPMorgan Chase Bank, também em Nova York.
O caminho do dinheiro é similar ao investigado na CPMI do Banestado, com o uso de laranjas em Foz do Iguaçu, onde era simulado o recebimento de valores do Paraguai, e posteriormente transferidos para uma conta do JPMorgan Chase Bank, em Nova York, operada pelo doleiro Dario Messer.
Apelidado como “doleiro dos doleiros”, Messer teria movimentado cerca de 1 bilhão de dólares entre 1998 e 2003.
Mais tarde, ele se tornou um personagem importante no escândalo da Lava Jato.
O doleiro chegou a ser preso em 2019, e foi condenado a 13 anos de prisão por lavagem de dinheiro relacionado ao garimpo de esmeraldas, em 2022.
Outro protagonista da Lava Jato também ganhou notoriedade a partir do escândalo do Banestado.
O doleiro Alberto Youssef foi condenado a quatro anos de prisão pela Justiça Federal do Paraná, em 2014, por corrupção ativa nesse caso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.intercept.com.br — o conteúdo pertence a Intercept Brasil.