Da Itália aos EUA, restaurantes e outros estabelecimentos estão declarando guerra aos influencers
A placa pendurada na porta de um aprazível restaurante no Sul da Itália faz uma advertência nada convidativa: “Aqui os influencers não podem entrar (aceitam-se pessoas, não personagens)”.
Com a mensagem em tom sarcástico, a pizzaria L’Evoluzione — localizada na cidade de Catânia, na Sicília — enuncia uma determinação séria e cada vez mais frequente em restaurantes e outros estabelecimentos ao redor do mundo: a decisão de declarar guerra à categoria que simboliza, para o bem e para o mal, o poder de sedução das redes sociais.
Do deslumbramento inicial com sua capacidade aparentemente mágica de transformar até rotinas vazias em milhões de seguidores, os influenciadores digitais aos poucos foram se convertendo em figurinhas inconvenientes e indesejadas para esses negócios.
Os motivos da ira contra os reis das curtidas são inúmeros.
Vão do mal-estar que eles causam a outros clientes, pelo modo expansivo com que fazem gravações, falando alto e espalhando equipamentos pelo salão, até uma chateação mais periclitante: o hábito de dar “carteirada”, exigindo consumir tudo de graça em nome de sua fama e capacidade de divulgar — ou arruinar — as casas eleitas como “vítimas”.
INDIGNADOS O italiano Scandurra (à esq.) e loja americana: “criadores de conteúdo” fazem bagunça e dão calote na conta Reprodução; @fourwindscraftguild/Instagram Que o diga o chef da pizzaria siciliana em questão, Lele Scandurra.
Ao explicar a decisão radical de bani-los dali, ele relatou que meses atrás trocou mensagens com um famoso influencer.
O “criador de conteúdo” lhe disse que gostaria de experimentar a comida do então recém-aberto estabelecimento.
Apareceu lá numa noite de sábado e logo pediu sugestões a Scandurra sobre quais pizzas do menu seriam mais “instagramáveis”.
Junto de um acompanhante, consumiu uma refeição completa, com sobremesa e bebidas.
Terminado o banquete, a dupla se levantou, elogiou a comida e prometeu fazer postagens com as imagens gravadas no local — mas foi ligeira em deixar o restaurante sem pagar.
Continua após a publicidade Indignado, Scandurra mais tarde desabafou: “Para mim, isso não é postura.
Estávamos nos primeiros meses de abertura, tínhamos muitas despesas e precisávamos faturar”.
Além do calote, os tão prometidos vídeos de divulgação não vieram.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.