Fertilizante mineral com aditivo biológico melhora cultivos
Estudo da USP mostra que fertilizante com aditivo biológico melhora desenvolvimento do milho e atividade do solo
Pesquisadores do programa de pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP, em Piracicaba, avaliaram o efeito no solo da aplicação de um fertilizante mineral associado a um aditivo biológico. Os experimentos mostraram que o tratamento melhora o desenvolvimento das plantas, especialmente em solo sob rotação de culturas, com incrementos na altura, na biomassa e nos teores de fósforo e enxofre, favorecendo também atributos biológicos do solo, como a atividade microbiana.
Desenvolvido pela bióloga Paloma Barros Dias, com orientação do professor Fernando Dini Andreote, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq, o estudo considera a necessidade de desenvolver estratégias agrícolas mais sustentáveis frente aos desafios globais relacionados à produção de alimentos e à conservação ambiental. “ Embora os fertilizantes minerais sejam fundamentais para a produtividade agrícola, seu uso intensivo pode impactar negativamente a biodiversidade microbiana e comprometer funções ecológicas essenciais do solo, como decomposição de matéria orgânica, supressão de patógenos e fixação biológica de nitrogênio”, afirma a pesquisadora.
Procurando preencher as lacunas sobre como esses produtos influenciam as comunidades microbianas e a funcionalidade ecológica do solo em diferentes condições de manejo e níveis de biodiversidade, o estudo desenvolvido no Laboratório de Microbiologia do Solo da Esalq foi dividido em 2 experimentos principais conduzidos com a cultura do milho por 45 dias em casa de vegetação. No 1º experimento, foram utilizados solos com diferentes históricos de manejo: mata nativa, pastagem, rotação de culturas e manejo convencional para avaliar como comunidades microbianas distintas respondem à aplicação do fertilizante mineral convencional e do fertilizante associado ao aditivo biológico.
No segundo experimento, foram selecionados 2 solos contrastantes do experimento 1 (convencional e mata nativa) onde foi aplicada a metodologia de “diluição para extinção” , técnica que reduz gradualmente a biodiversidade microbiana do solo. “Essa abordagem permitiu investigar como diferentes níveis de diversidade influenciam a funcionalidade do solo e a resposta das plantas aos tratamentos”, explica a bióloga. “As análises incluíram avaliações agronômicas, químicas, microbiológicas e moleculares, com destaque para o sequenciamento das comunidades bacterianas e fúngicas do solo (16S rRNA e ITS), além de análises ecológicas, Random Forest e redes microbianas para compreender as interações entre os microrganismos.”
Os resultados mostraram que o histórico de uso e manejo do solo influenciou fortemente os atributos químicos e biológicos do solo, a estrutura das comunidades microbianas e a resposta das plantas aos fertilizantes.
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