Efeitos de remédios podem ser confundidos com novas doenças, alerta estudo
Imagine o seguinte cenário: você toma um remédio para a pressão alta e, meses depois, começa a sentir as pernas inchadas .
O sintoma, então, é interpretado como um novo problema , levando à prescrição de um diurético .
A partir daí, pode parecer que a questão foi resolvida, mas é possível que você esteja tomando mais um medicamento sem necessidade —agora, para tratar um efeito colateral manejável do primeiro.
É assim que começa o que os especialistas chamam de cascata de prescrição , algo mais comum do que se imagina na vida de quem tem mais de 60 anos.
O fenômeno chamou a atenção de pesquisadores canadenses em um estudo publicado no The British Medical Journal (BMJ) na última semana.
Os pesquisadores analisaram dados de 2,3 milhões de idosos e registraram as prescrições que eles já haviam recebido em sequência .
A partir de critérios como a frequência com que um medicamento era seguido por outro e o intervalo entre as duas prescrições , os pesquisadores identificaram 24 sequências que podem indicar possíveis cascatas de prescrição inadequadas.
Com essas informações em mãos, pacientes e médicos podem considerar melhor quando um sintoma é, de fato, uma doença nova ou algo que pode ser resolvido com ajustes na medicação.
Continua após a publicidade “Toda vez que surge um novo sintoma em uma pessoa idosa , antes de buscarmos um remédio para resolvê-la, é preciso fazer uma revisão das medicações , suplementos ou chás usados por esse indivíduo”, esclarece Leonardo Oliva, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
Assim, segundo o médico, evita-se prescrever um remédio para cobrir o efeito colateral de outro, o que é chamado, aqui, de indicação inadequada .
O que o estudo viu “Em primeiro lugar, uma cascata de prescrição acontece quando um medicamento provoca um efeito adverso, esse efeito é interpretado como uma nova doença ou um novo sintoma e, então, outro medicamento é prescrito para tratá-lo”, detalha Fábio Leonel, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP) O problema é que isso pode iniciar uma sequência: um medicamento leva a outro , que pode causar sintomas e levar a outro … e outro … Com isso em mente, a pesquisa do BMJ partiu de 65 possíveis cascatas de prescrição previamente identificadas por um consenso internacional de especialistas.
Continua após a publicidade Eles buscaram, então, essas combinações na rotina dos participantes do estudo.
A partir daí, decidiram criar a sua própria lista, mais refinada.
Para isso, os pesquisadores consideraram as sequências de medicações mais comumente usadas pelos participantes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.